Os livros que li em 2020 – parte IV

Dando continuidade à partilha dos cinco livros que mais gostei de ler em 2020, hoje venho falar-vos de um cujo tema está ligado com o dia 15 de março de 1961, ou seja, com a revolta que deu início à guerra colonial e que aconteceu há precisamente 60 anos.

O livro que vos falo é “O retorno” da escritora Dulce Maria Cardoso e conta o regresso a Portugal de uma família de retornados através dos olhos de um dos filhos (Rui).

Eu, tal como o Rui, nasci em Angola, filho de pais portugueses, que também foram retornados, mas como vim muito mais novo tenho poucas lembranças minhas desses dias. Foram tempos de “começar de novo” para muitos, mas para mim era mesmo só começar porque não tinha mais de 4 anos.

Contudo, quis juntar a todas as histórias que fui ouvindo ao longo dos anos da boca dos meus pais, dos amigos que viveram a mesma experiência e também daqueles que nunca foram a África e viram o regresso de tanta gente em tão pouco tempo para um país acabado de sair de uma revolução, mais uma visão daquele período.

É um livro que não é importante só para quem viveu aquele período, mas também para todos aqueles que já nasceram muito depois e certamente conhecem alguém que, ou veio de África, ou recebeu quem chegou.

Já passaram 60 anos desde que tudo começou, mas para a História ainda é um acontecimento muito recente, ainda não existe o distanciamento físico, emocional e, na medida do possível, imparcial para avaliar tudo o que aconteceu. Vai levar algum tempo para que as emoções não se sobreponham à análise racional daquele período, mas é necessário caminharmos nesse sentido.

É fundamental que sejamos capazes de sublimar os sentimentos de revolta e de raiva decorrentes de uma guerra, que como todas as guerras, foi injusta e penalizou mais os inocentes do que os culpados de ambos os lados da barricada.

Já tinha mencionado no meu blogue a recente entrevista que o General Ramalho Eanes deu ao Miguel Sousa Tavares (podem rever aqui) e na qual também é abordado o tema da guerra colonial. Como é apanágio do General Ramalho Eanes, a sua reflexão é de um homem de exceção e promotora de um clima de paz, de cooperação, de mãos dadas em vez de costas voltadas.

Mas, se ainda não leram este livro, leiam. Vale mesmo a pena!

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