Viajar no tempo

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O Homem desde que tomou consciência da sua existência e das suas capacidades procurou fazer aquilo que a Natureza muitas vezes lhe vedava, por exemplo voar ou explorar o fundo dos oceanos.

A verdade é que acabou por encontrar diferentes formas de voar e de explorar o fundo dos oceanos, parecendo que não existiam desafios inultrapassáveis.

Contudo, há um desejo do Homem que permanece por satisfazer: viajar no tempo, ser capaz de ir ao passado e espreitar o futuro. Mas será que este desafio é inultrapassável ou já é possível viajar no tempo, mesmo que de forma aproximada. A verdade é que o Homem consegue voar, mas não tem asas; consegue nadar, mas não tem a capacidade natural de respirar debaixo de água, ou seja, superou os desafios recorrendo à tecnologia, à ciência, à sua capacidade inventiva e, naturalmente, à sua coragem.

Mas voltemos às viagens no tempo que pululam no nosso imaginário e fazem parte de incontáveis obras literárias que nos fizeram sonhar. Como podemos nós viajar no tempo?

As viagens no tempo pressupõem poder regressar ao passado ou visitar o futuro, mas não podemos esquecer que, embora o futuro exerça um fascínio muito grande, mantém-se muito a ideia que o passado é apenas uma memória romântica, mas atrasada e que não importa aprofundar. Não são raras as vezes que se ouve “isso era antigamente” ou “os tempos mudaram”, por exemplo. Estas são expressões que menorizam o passado ao contrário do futuro que está sempre associado ao progresso e à evolução.

Mas…e as viagens no tempo? Como é que as fazemos?

A réplica de um barco antigo a navegar em direção ao horizonte lembrou-me a ousadia, a coragem, o pioneirismo do povo português quando se lançou em direção ao desconhecido. No momento em que vi o barco parecia que se tinha aberto uma “janela do tempo” e tinha regressado o povo que, contra tudo e contra todos, conquistou meio mundo deixando marcas culturais indeléveis como nenhum outro povo colonizador e que ainda hoje se veem e visitam nas sete partidas do planeta azul.

Ao ver aquele barco e ao imaginar a “janela do tempo” pensei que tinha regressado aquele que foi e é potencialmente o melhor povo do mundo para trazer de novo, mas em moldes diferentes, a grandeza lusa.

Ao ver aquele barco percebi que viajar no tempo não precisa da resolução de equações complicadas nem de mecanismos elaborados com materiais que ainda não existem. Para viajar no tempo basta trazer para o presente aquilo que o passado nos ensinou para construirmos o futuro.

É assim que, sem máquinas e sem arriscar a nossa vida, podemos viajar no passado e preparar o futuro. Para isto basta eliminar a ideia que o passado é atrasado e retrógrado e o futuro é progresso e evolução.

Temos que trazer para o presente a energia que no passado iluminou os faróis e facilitou a navegação para cruzarmos novamente os mares em direção ao futuro.

Razões reais – parte XI

O Rei – árbitro nacional

A posição de chefe de estado deve ser necessariamente de imparcialidade e com um foco único: o interesse do povo que se representa. De facto, seja um regime republicano ou monárquico, em todas as suas variantes a posição de chefe de estado tem a mesma função, ou seja, a representação do povo e dos seus interesses.

Por esta razão, é fundamental a capacidade de arbitrar sem condicionalismos externos como são os interesses políticos. Ora, todos nós percebemos que num regime republicano em que o chefe de estado é eleito com o apoio de forças partidárias esta capacidade de arbitrar de forma justa é muito mais difícil e improvável, ao invés dos regimes monárquicos, nos quais o rei é o chefe de estado reconhecido por todas as forças políticas e mesmo dos que não se reveem em nenhum partido político.

De facto, “A questão aqui não se põe entre melhor e pior; põe-se entre ter e não ter.”