23 de agosto de 1893

23 de agosto de 1893

Neste dia foi instalado o primeiro de um conjunto de cabos telegráficos submarinos entre os Açores e Portugal continental, mais concretamente entre a cidade da Horta na ilha do Faial e Lisboa (Carcavelos).

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(Imagem do Núcleo Filatélico de Angra do Heroísmo)

Personalidade nascida neste dia

No dia 23 de agosto de 1933 nasceu no Estoril António Henrique Rodrigo de Oliveia Marques, que viria a ser um grande historiador português, além de professor universitário e maçon.

Foi ainda diretor da Biblioteca Nacional entre 1974 e 1976.

Os seus trabalhos como historiador centraram-se nos períodos da Idade Média e da Primeira República, além de ter abordado a Maçonaria também.

No que concerne à sua atividade como maçon iniciada em 1973, foi Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano entre 1984 e 1986 e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho de Grau 33 entre 1991 e 1994.

As suas qualidades foram superiormente reconhecidas com a atribuição da Grã-Cruz da Ordem da LIberdade pelo presidente da república, Dr. Jorge Sampaio, no dia 2 de outubro de 1998.

Morreu no dia 23 de janeiro de 2007 em Lisboa.

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22 de agosto de 1415

22 de agosto de 1415

Na manhã deste dia, as forças portuguesas constituidas por cavaleiros e soldados portugueses, ingleses, galegos e biscainhos conquistaram a cidade de Ceuta sem grande resistência dos mouros.

Refira-se que nesta conquista participou a aristocracia portuguesa mais relevante do século XV, incluindo o herdeiro ao trono, D. Duarte, os infantes D. Pedro e D.Henrique, assim como o Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

Embora os resultados da conquista de Ceuta não tenham sido os esperados, a verdade é que constituiu o primeiro passo para a expansão ultramarina daquele que viria a ser o império Português.

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Personalidade nascida neste dia

No dia 22 de agosto de 1823 nasceu Manoel da Rocha Romariz, que foi o fundador da Casa de Romariz ligada à produção de vinho do Porto.

A familia manteve a gestão desta casa até 1966 quando foi vendida à empresa Guimaraens & Co donos da marca Fonseca.

Morreu no dia 8 de abril de 1892 na mesma terra onde nasceu, Mafamude em Vila Nova de Gaia.

 

21 de agosto de 1808

21 de agosto de 1808

Neste dia foi travada a Batalha do Vimeiro no decurso da primeira invasão francesa.

Defrontaram-se as forças francesas, comandadas pelo famoso General Junot, e as forças anglo-lusas comandadas pelo Tenente-general Arthur Wellesley que saíram vitoriosas.

Esta vitória ditou o fim da primeira invasão francesa.

Personalidade nascida neste dia

No dia 21 de agosto de 1643 nasceu em Lisboa aquele que viria a ser o rei D. Afonso VI, que viria a receber o cognome de “O Vitorioso”.

Reinou entre 6 de novembro de 1656 e 12 de setembro de 1683, tendo sido aclamado a 15 de novembro de 1657.

Não estava destinado a reinar, mas as mortes do seu irmão, Teodósio de Bragança, e da sua irmã Joana determinaram que assumisse o trono de Portugal apesar da sua fraca preparação e dos problemas de saúde que teve em criança.

O seu reinado ficou marcado pelas diversas vitórias sobre Espanha na Guerra da Restauração.

Estas vitórias e outros pontos importantes do seu reinado não foram suficientes para evitar a sua destituição pelo irmão, D. Pedro II, que inclusivamente viria a casar com a sua mulher, a francesa Maria Francisca Isabel de Sabóia.

Morreu em Sinta no dia 12 de setembro de 1683.

Uma visão da sociedade

As nossas vidas são uma soma de decisões, algumas boas, outras nem por isso. Mas todas elas devem merecer da nossa parte uma reflexão, devendo constituir uma aprendizagem contínua como se o tempo nos permitisse indefinidamente corrigir o que foi mal feito e repetir as boas opções.

Esta aprendizagem é fundamental para tentarmos entender o mundo em que vivemos, a sociedade onde estamos inseridos e da qual somos também “construtores” ativos.

No meu caso pessoal e sem qualquer pretensão de achar que estou a “descobrir a pólvora”, as minhas reflexões construíram um modelo de sociedade muito simples estratificado em três níveis entre os quais todos nós nos movemos.

Ética (nível 3)

Legal (nível 2)

Ilegal (nível 1)

Figura 1 – A sociedade e os seus níveis segundo Luís Simas

Se cada uma das nossas atitudes ou decisões pudesse ser representada por um ponto e os critérios para colocar cada ponto no respetivo nível estivessem muito bem definidos, o que distinguiria cada elemento da sociedade era a posição da mancha formada pelos diversos pontos.

Uma mancha mais concentrada no nível 1 representaria aqueles que vivem à margem da lei, outra mais presente no nível 2 representaria todos aqueles que manifestam um comportamento em conformidade com as regras estabelecidas, enquanto que uma mancha predominantemente no nível 3 seria representativa de todos aqueles que pautam as suas atitudes e decisões segundo critérios de ética.

O que devemos fazer nos diversos momentos da vida é analisar onde está a nossa mancha e se a queremos deslocalizar para outro nível e este procedimento é a nossa reflexão sobre o caminho que seguimos no passado e que queremos passar a seguir no futuro.

Idealmente, o que devemos procurar todos é “ascender” ao nível 3, ou seja, gerirmos todas as nossas decisões por critérios éticos. Ora, esta “ascensão” é certamente uma utopia, mas que todos deveríamos perseguir.

Mas a simples referência a critérios éticos fazem-nos associá-los a questões fraturantes e complexas como a eutanásia, a interrupção voluntária da gravidez ou a utilização de barrigas de aluguer, por exemplo.

No entanto, existem questões bem mais simples e que podemos facilmente analisar com base na estrutura representada na figura 1. Assim, pensemos no cumprimento dos limites de velocidade estipulados pelo código da estrada e na seguinte questão:

Por que razão cumprimos os limites de velocidade?

A resposta correspondente ao nível 1 é muito simplesmente “não cumprimos”.

Se a nossa decisão corresponder ao nível 2 significa que a razão associada ao cumprimento dos limites de velocidade é não querer incorrer numa infração para não ser multado.

Contudo, se a nossa decisão for norteada por critérios éticos, ou seja, nível 3, é porque consideramos que o cumprimento dos limites de velocidade é mais seguro para nós e para os outros.

De facto, este exemplo numa questão não fraturante evidencia que uma decisão de nível 3 tem como consequência o cumprimento dos critérios constantes do nível 2, ou seja, cumprimento da lei, e um afastamento claro do nível 1, ou seja, da ilegalidade.

Este exemplo constitui também uma boa forma de demonstrar que o cumprimento da lei deve ser uma consequência das nossas decisões baseadas em critérios éticos e não o contrário.

Um olhar mais atento às notícias com que somos “bombardeados” todos os dias levam-nos a identificar inúmeros exemplos de comportamentos que quase unanimemente são errados, mas que são contrapostos pelos alegados infratores pelo estrito cumprimento da lei.

Ora, a mensagem que gostaria de deixar é que quando alguém invoca incessantemente o cumprimento da lei para justificar algum comportamento ou decisão, certamente algum critério ético está “ferido de morte”.

Reflexões de D. Duarte Pio

No final do mês de abril, o senhor D. Duarte Pio deu uma entrevista ao podcast do Expresso “A beleza das pequenas coisas” que importa ouvir e refletir sobre o seu conteúdo.

A frase utilizada como teaser foi “Desde 1910 que a moral republicana só funciona em ditadura”.

De facto, esta frase mostra o quanto a sociedade portuguesa tem andado alheada da necessidade de discutirmos seriamente o regime republicano em que vivemos e que tem condicionado, para o bem e para o mal, a evolução do nosso País.

Na verdade, Portugal precisa de fazer um debate alargado e sério sobre a manutenção da república ou o retorno à monarquia nos moldes existentes nas monarquias constitucionais europeias.

Não esqueçamos que numa matéria claramente referendável, o povo português nunca foi chamado a pronunciar-se sobre este tema e que quando a república foi implantada a representação dos republicanos no Parlamento português não ultrapassava os 10 %.

Para esta reflexão gostaria de destacar algumas das ideias que D. Duarte Pio expressou na entrevista acima citada e que exorto todos os leitores a ouvirem atentamente.

Assim, a primeira ideia vai para a necessidade imperiosa de termos uma sociedade com uma construção moral que permita baixar os níveis de corrupção. Ao referir-se a esta matéria, o senhor D. Duarte pretendia dizer que numa sociedade sem construção moral a preocupação dos meliantes é não serem apanhados. Ora, só uma sociedade que tenha a construção moral adequada é constítuida por cidadãos que não cometem infrações simplesmente porque é errado e não apenas porque têm medo de ser apanhados pela justiça.

Esta é, com toda a certeza, a base da sociedade, permitindo depois construir em cima desta construção moral todo um conjunto de pilares que tipificam uma sociedade desenvolvida com respeito de uns pelos outros, uma sociedade onde o egoísmo, o individualismo e os interesses pessoais não se sobrepõem ao interesse coletivo e ao bem comum.

Nesta entrevista também foi abordado o desempenho dos presidentes da república, retorquindo o senhor D. Duarte com uma pergunta pertinente:

Que democracia é aquela que não permite que a vontade do povo seja soberana?

De facto, o regime republicano não aceita que, apesar do excelente desempenho de alguns presidentes da república, estes se mantenham nessa posição enquanto o povo quiser. Todos concordamos que a república “obriga” o povo a escolher um novo chefe de Estado periodicamente.

É de realçar que, sem quaisquer complexos, D. Duarte elogiou o General Ramalho Eanes e o Professor Marcelo Rebelo de Sousa enquanto bons exemplos de chefes de Estado, sendo este último caraterizado por ser mais próximo do povo e o primeiro pelo seu elevado nível de cidadania. Aliás, citou o General Ramalho Eanes quando este afirmou que os presidentes da república devem comportar-se como reis porque é isso que o povo quer.

Apesar de reconhecer algumas qualidades de personalidades ligadas à república, também não deixou de dar nota da herança que a implantação da república em 1910 nos deixou, designadamente as perseguições políticas na primeira república, a ditadura castradora do desenvolvimento de Portugal na segunda república e a terceira república , que embora democrática, levou o país à falência três vezes em cerca de 40 anos.

A situação europeia e a presença de Portugal na União Europeia também mereceu da parte de D. Duarte Pio algumas reflexões, das quais destaco que esta união de países deveria constituir mais um projeto de solidariedade entre nações do que na verdade é, bem como a desigualdade económica que foi agravada com a introdução do euro. Relativamente a este último aspeto sugeriu a criação de uma segunda moeda que poderia amenizar as desiguldades existentes entre os países mais ricos e os mais pobres.

Finalmente, referiu-se aos países de língua oficial portuguesa com os quais temos uma ligação histórica, cultural e afetiva profunda e que a república não tem sabido manter e potenciar no contexto moderno das sociedades desenvolvidas.

Não deixou de dar nota que é imprescindível manter uma ligação espiritual com todos estes países, recordando que, com a exceção do Brasil, todos os restantes membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reconhecem-no como rei de Portugal.

Partilhou nesta entrevista que na década de 70 propôs a criação de uma confederação de estados lusófonos à semelhança da Commonwealth, o que lhe valeu a expulsão de Angola por parte de Marcelo Caetano.

Em resumo, as ideias apresentadas de uma sociedade com uma construção moral adequada, com respeito pela vontade soberana do povo, os maus resultados do regime republicano para o desenvolvimento de Portugal, o respeito por valores como é a solidariedade entre nações e a valorização de uma história construída ao longo de séculos revelam a preparação do chefe da família de Bragança para assumir a sua missão de chefe de Estado português.

Não deixou de recordar que é obrigação dos “Braganças” servir Portugal.

O papel dos ex-presidentes da república

Sou um monárquico inconformado com a forma como a república gere a res publica.

Sou um monárquico inconformado com a forma como os republicanos impuseram o seu regime recorrendo ao assassinato do Chefe de Estado Português legítimo.

Sou um monárquico inconformado com as promessas não cumpridas dos republicanos invocadas para impor a república.

Sou um monárquico inconformado com a república porque é responsável pelos 100 anos mais negros da história de Portugal caracterizados por uma participação desastrosa na I Grande Guerra, por uma ditadura que colocou o país com índices de desenvolvimento baixíssimos, por uma descolonização contaminada com modelos políticos pouco democráticos e por três assistências financeiras internacionais para salvar o país da bancarrota.

Contudo, este inconformismo não apaga o orgulho de ser português, não apaga a convicção de que somos potencialmente o melhor povo do Mundo e, acima de tudo, não apaga a minha vontade de contribuir civicamente com propostas para um Portugal cada vez maior e melhor.

E é nesta perspetiva construtiva que venho partilhar convosco uma reflexão sobre qual poderia ser o papel dos ex-presidentes da república.

No entanto, para introduzir esta reflexão quero partilhar convosco uma ideia que o rei D. Pedro V procurou concretizar em Portugal inspirado na experiência inglesa. Com efeito, este rei, que tendo morrido aos 24 anos, deixou um legado muito importante, sendo considerado por muitos o primeiro homem moderno português.

São muitas e interessantes as suas iniciativas, às quais poderei dedicar um vídeo no meu canal do YouTube, mas hoje gostaria de me centrar na sua proposta de criação de um “instrumento básico de progresso” inspirado nas Royal Commission inglesas, enquanto instituições apolíticas responsáveis pelo êxito da vida pública em Inglaterra.

A missão destas comissões era informar a Nação sobre a estratégia que deveria ser seguida nos mais diversos domínios, livres de quaisquer preconceitos, mas acima de tudo, livres de quaisquer pressões políticas.

Ora, o regime republicano português concede aos ex-presidentes da república um conjunto de privilégios vitalícios como compensação dos serviços prestado ao Estado, sem a preocupação de garantir que haja um retorno positivo continuado para o país e para a sociedade.

Mesmo não acreditando na república, a verdade é que os ex-chefes de Estado acumularam uma experiência que Portugal não se pode dar ao luxo de desprezar e limitar-se a agradecer a estas personalidades oferecendo determinadas condições de trabalho sem qualquer impacto positivo garantido para o futuro da nossa Nação.

Assim, em vez de oferecer individualmente condições para continuarem a trabalhar, por que razão não cria o País uma estrutura na qual os ex-presidentes da república pudessem trabalhar, pudessem pensar o País em conjunto, pudessem refletir sobre os caminhos que deveríamos seguir, apoiados na opinião de especialistas que convidariam para essas reflexões e produzindo documentos e orientações para os poderes executivos?

Desta forma, com um edifício, um conjunto de colaboradores comum, ou seja, com a criação de um verdadeiro órgão consultivo, estariam criadas as condições para gerar as reflexões que poderiam contribuir definitivamente para o desenvolvimento que todos almejamos para Portugal.

Estou convicto que todos os Portugueses olhariam para os privilégios dos ex-presidentes da república de outra forma se fossem confrontado com o trabalho produzido por estes para as gerações futuras e para a desejável melhoria das condições de vida.

Afinal, este modelo não é mais do que aquilo que naturalmente o Homem faz desde que começou a estruturar socialmente as comunidades, ou seja, concedendo aos mais experientes o papel de “aconselhadores”.

Resposta a Ascenso Luís Simões – 2.0

Um século de história perdido pela república

Há cerca de um ano, mais precisamente no dia 12 de abril de 2017, o deputado Ascenso Luís Simões publicou no Jornal I um artigo intitulado “D. Duarte não precisa de protocolo“, ao qual respondi neste blogue com o post D. Duarte não precisa de protocolo – resposta a Ascenso Luís Simões.

São vários os incómodos e desacertos do deputado da nação relativamente aos monárquicos e à causa monárquica, que voltaram a ser manifestados num artigo de opinião publicado no Jornal Público no dia 27 de março de 2018 e com o título “Carta a D. Duarte Pio“.

Neste artigo, cuja escrita justifica com a efeméride dos 210 anos da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, volta, como diz o povo, a dar “uma no cravo e outra na ferradura” na causa monárquica.

Em primeiro lugar levanta a questão da sucessão da Dinastia de Bragança que, apesar de algumas opiniões minoritárias e quase silenciosas, não é verdadeiramente uma questão para os monárquicos portugueses que reconhecem em Dom Duarte Pio o legítimo herdeiro do trono de Portugal, sendo inclusivamente atribuído-lhe por muitos o cognome de “O Conciliador”.

Ora, este cognome é porque a pessoa do Senhor Dom Duarte converte a Dinastia de Bragança de “autorizadora da última grande contenda fratricida”, como refere Ascenso Luís Simões, para unificadora da Família Real Portuguesa como facilmente se percebe ao observar a sua árvore genealógica.

É lamentável que se considere que o país não tem agenda para o debate sobre a manutençao da república ou o regresso da monarquia, o que vem apenas demonstrar um certo “peso na consciência” dos republicanos e defensores da forma como a monarquia foi afastada.

Nunca é demais referir que o atual regime tem os seus alicerces fundados no sangue do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro D. Luiz Felipe. E este “peso na consciência” nunca foi atenuado, por exemplo, com um pedido de desculpas da república ao povo português pelo facto de muito poucos terem tomado uma decisão que afetou muitos e recorrendo a um crime hediondo, cruel e infâme.

A verdade é que o Papa pediu desculpas pelo abusos sexuais cometidos por membros da Igreja, pelos crimes cometidos pela Inquisição e a Alemanha pediu perdão a Israel pelo Holocausto. A República Portuguesa nunca pediu perdão aos portugueses por ter assassinado o seu legítimo chefe de Estado e o príncipe herdeiro quando estes eram aclamados pelo povo e estavam completamente desprotegidos.

O tempo não apagará a memória e certamente os monárquicos não deixarão que tal aconteça.

Por tudo isto, a discussão do regime da chefia de Estado em Portugal tem que ter agenda, tem que ter tempo para reflexão e, acima de tudo, tem que ter tempo para esclarecer os portugueses que se devem pronunciar por algo que lhes foi imposto e nunca perguntado.

Porventura, será esta uma das grandes diferenças entre a monarquia e a república, já que a primeira quer dar a voz ao povo e a segunda deixa o tempo passar para tentar apagar a memória.

Aliás, é urgente que se dê início ao debate porque a república teve 100 anos para mostrar o que valia e, em boa verdade, mostrou muito pouco. O século XX, que pode ser chamado o século republicano, foi um tempo perdido e quem o diz é a História.

No período de pouco mais de 100 anos definiu-se o território português, tornando Portugal, a par da Dinamarca, o Estado-nação mais antigo da Europa; no período de cerca de 100 anos Portugal foi do Norte de África até ao Brasil, passando pela Índia, criando o primeiro movimento globalizador que ainda hoje persiste. É um facto reconhecido que o fizemos mais pela assimilação e integração cultural do que pela força, ao contrários dos espanhóis, dos ingleses ou dos holandeses e a todo este processo não é alheia a lentidão com que povoámos os territórios que íamos descobrindo. Deixamos a nossa marca na língua, na cultura, na gastronomia, nos edifícios e acima de tudo na memória dos povos.

Há poucos meses atrás um colega do Butão disse-me que tinham sido dois portugueses os primeiros estrangeiros a chegar a este país e não eram militares ou conquistadores, eram dois monges jesuítas. Foi assim que descobrimos o Mundo!

E o que fez a república em 100 anos? A I República levou-nos para o caos, a corrupção, o assassinato de chefes de Estado e para a I Grande Guerra onde fomos absolutamente dizimados apesar da bravura inexcedível dos soldados portugueses. A II República manteve-nos num regime de “orgulhosamente sós” com um povo cuja natureza era globalizar e “bateu o pé” a uma descolonização incontornável com consequências dramáticas para diversas gerações de portugueses e africanos. E a III República? Em primeiro lugar abandonou todos os militares que defenderam a nação lusa em terras de África, destruindo não só a vida dos soldados como das suas famílias, já que muitos, sem qualquer apoio, deixaram-se enredar pelas teias do alcoolismo ou da violência doméstica para tentar apagar os pesadelos que os atormentavam e atormentam durante a noite. A III República deu-nos também três intervenções financeiras externas para nos livrar da bancarrota e para aqueles que argumentam que o País evoluiu muito nas últimas décadas eu assumo a minha concordância com uma ressalva: a década de 90 do século XX foi caraterizada pela entrada em Portugal de verdadeiras fortunas vindas da Comunidade Económica Europeia apenas comparável com a riqueza resultante da descoberta de novos territórios como o Brasil e a Índia. Mas mais uma vez há uma ressalva, o dinheiro proveniente dos Descobrimentos era o resultado do nosso esforço, o da Comunidade Económica Europeia foi oferecido…

Em resumo, o que nos trouxe o século XX republicano? Problemas, atraso e esmolas.

O livro “1910 a Duas Vozes” escrito a “duas mãos” pelos professores Mendo de Castro Henriques e Fernando Rosas mostram bem o que a república prometeu e não conseguiu cumprir.

E a discussão do modo de escolha da chefia de Estado não se esgota porque o argumento republicano que todos os cidadãos têm o direito de poder ser chefe de Estado não é mais do que uma falácia como demonstra a História. Em 20 presidentes da república portuguesa quantos são os que não saíram da esfera política e em casos excecionais do setor militar? Zero, talvez seja a resposta certa…

Não vale a pena criarmos ilusões já que a república promete mas não cumpre. A verdade é que o regime republicano veio politizar a chefia de Estado contrariando a tão invocada isenção que nunca tem condições de ser efetiva. A república veio fazer com que as teias políticas se estendessem dos poderes executivos aos poderes representativos da nação com os resultados descritos atrás e em apenas 100 anos.

A este propósito, gostaria de recordar que o deputado Ascenso Luís Simões defende, ou pelo menos, defendeu recentemente que o presidente da república deveria ser eleito por sufrágio indireto em vez de direto como acontece hoje, ou seja, colocar na mão de muitos poucos a decisão de quem nos representa, esvaziando o papel dos cidadãos neste processo.

Ao invés, um Rei é unânime, reconhecido pelo povo como tal e personifica a nação.

As monarquias constitucionais na Europa não estão fixadas em linhas fósseis, são do ponto de vista sociológico os países mais progressistas onde a naftalina que protege os trajes não impede de olhar para a frente sem esquecer tudo o que proporcionou que hoje sejam países admirados, socialmente estáveis e com indicadores de desenvolvimento invejados por qualquer república. Não é por isso verdade o que Ascenso Luís Simões diz e os monárquicos portugueses, chefiados por Dom Duarte Pio, certamente farão melhor que os republicanos fizeram no século XX, um século perdido e falhado em Portugal.

Quando se pretende discutir o pensamento monárquico e as razões pelas quais ele aparenta não estar presente ou existir, podem-se procurar respostas nos monárquicos, mas também na república que, a começar pela sua Lei Fundamental, é castradora. Os aspetos referenciados pelo deputado Ascenso Luís Simões, como o municipalismo, a língua e a ecologia não desapareceram, mas antes foram simplesmente ignorados pela classe política portuguesa. Basta, por exemplo, ler tudo o que o arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles escreveu nas últimas décadas e foi ignorado.

O movimento monárquico é pluralista, diverso, heterogéneo e, como tal, a sua grande bandeira é a Causa Real, a defesa dos valores nacionais suprapolíticos e, acima de tudo, o orgulho de ser português encabeçado por aquele que, por razões históricas, provém de uma família cuja história se confunde com a da própria nação, personificando-a com um espírito de missão.

A afirmação dos monárquicos nos mais diversos setores da sociedade é necessária, mas é preciso ultrapassar algumas “pequenezes” e preconceitos da sociedade que considera um sinal de coragem a assunção da condição de monárquico.

Concordo que é a necessária a normalização da opção monárquica, mas discordo em absoluto que a sua consagração seja díficil. Relativamente à desistência do debate sobre o regime em que vivemos, acho que é um não-assunto porque não se pode desitir de algo que uma das partes não quer debater. Com efeito, são os republicanos, o seu regime e a sua Lei Fundamental que não deixam que o debate seja efetuado de forma livre, descomplexada e, acima de tudo, esclarecedora.

Não podemos ter outro século como o século XX. É o País que não pode esperar!

P.S. – Não deixem de ler a resposta do Presidente da Real Associação de Lisboa aqui e do Presidente da Causa Real aqui.

 

 

 

 

 

Referências

Tenho um péssimo sentido de orientação. Aliás, a única vez que fiz testes psicotécnicos, talvez com 15 anos, o ponto mais fraco identificado foi a visualização abstrata no espaço, o que é coincidente com as minhas dificuldades de orientação geográfica.

Por esta razão, as referências geográficas são fundamentais para mim, ou melhor, eram porque atualmente não dispenso a utilização de um GPS.

No entanto, não é destas referências que vos quero falar, embora também me indiquem o Norte, que não é o magnético, nem o geográfico, mas sim o Norte da nossa vida.

E que referências são estas? Podem ser pessoas, ideias, livros, filmes ou até músicas, por exemplo. Mas o meu objetivo é centrar-me nas pessoas que podem constituir um referencial para nós, que podem num ou mais momentos da nossa vida fazer a diferença.

Em regra, as primeiras referências são os nossos pais e eu não fujo a esta regra. Tudo o que aprendi com o meu pai e continuo a aprender com a minha mãe constituem o livro de ensinamentos mais importantes que me acompanham, são um conjunto de princípios de vida, são mesmo as minhas leis. E é muito bom que assim seja!.

Contudo, sendo estas as mais importantes, as minhas não se esgotam nos meus progenitores, alargando-se a algumas pessoas com as quais me fui cruzando na vida, presencialmente ou não.

De facto, podemos ter como referências personalidades que, pela obra produzida, conquistaram a imortalidade e continuam a ser admiradas, apesar de já não conviverem connosco neste espaço terreno.

Num outro plano, que para mim é ainda mais importante, estão aquelas pessoas que tivemos o privilégio de ter à nossa frente, de ouvir o que tinham para dizer, de beber a sabedoria que partilharam connosco. Nestas pessoas posso incluir, por exemplo, um professor, um amigo mais velho ou alguém que me dirigiu profissionalmente.

Desde muito cedo que coleciono referências e, no meu caso, é uma coleção que considero muito rica. É uma coleção que tenho vindo a preencher e que, apesar de muito provavelmente já ter vivido mais de metade da minha vida, continuo a achar que não está completa.

A verdade é que continuo à procura de mais referências numa ótica de melhoria contínua. Estou certo que muitas das minhas referências sabem que têm esse estatuto mesmo que eu não o tenha afirmado explicitamente.

Exorto todos aqueles que cruzarem as suas vidas com este texto a refletir sobre quem são as suas referências e em que momentos da vida esse estatuto se revelou.

A tomada de consciência da existência de referências leva-nos a que, em momentos dificeis, possamos ponderar as nossas decisões bebendo a sabedoria encerrada nessas pessoas.

Valorizem, usem e abusem das vossas referências. É certamente um elogio para elas!

P.S. – Propositadamente não desenvolvi o papel daquelas a que apelido de “referências negativas”, mas tenhamos consciência que até estas podem influenciar-nos em tudo aquilo que não devemos fazer.

A importância dos genes

Nos meus tempos de estudante do liceu quando falávamos do que gostávamos em termos de disciplinas fazia-se a pergunta clássica Gostas de ciências ou de letras? como se estas áreas fossem incompatíveis e sem qualquer relação entre elas.

Aliás, muitos iam para letras para fugir da matemática e ninguém compreendia porque tinha que estudar filosofia na área de ciências.

A verdade é que não há compartimentos estanques, ou seja, não é possível viver com apenas uma destas áreas. De facto, o que acontece é que os níveis de profundidade com que lidamos com os temas variam, mas acabamos sempre a recordar-nos que o professor que dizia que a vida nos ia demonstrar a importância de tudo tinha razão.

No entanto, como é que esta introdução liga com o título deste post? A história começa com uma entrevista a uma autora alemã de um livro que foi lançado em Portugal e que me despertou a atenção. A autora é Jennifer Teege e o livro tem o título Amon – o meu avô podia ter-me matado.

Li a entrevista, comprei o livro e li-o. Não vos vou contar a história do livro até porque a entrevista é bastante esclarecedora, mas vale a pena ler o livro e pensar na importância dos genes e na influência que eles poderão ter em nós ou não.

Foram os genes e a genética que me inspiraram para estudar Bioquímica (ciências), mas a história e a genealogia (letras), que também me interessam, têm os genes como um dos seus protagonistas.

Ou seja, ciências e letras unidas pelos genes.

O livro que acima refiro é autobiográfico e a autora debate-se com a existência de uma culpa ou vergonha por “carregar” na sua herança genética os genes de uma personagem hedionda e responsável por ter cometido crimes inqualificáveis.

O outro lado desta moeda pode ser visto, por exemplo, nas palavras que o 12.º Marquês de Fronteira, D. Fernando Mascarenhas, dirigiu ao seu sobrinho e sucessor no livro Sermão ao meu Sucessor – Notas para uma Ética da Sobrevivência.

Neste livro, o autor utiliza a herança genética como uma das forças para se prosseguir um bom trabalho e desempenhar um papel relevante na sociedade. Esta ideia fica patente em “O verdadeiro aristocrata tem consciência de que tem uma história atrás de si e é essa própria consciência da história que tem atrás de si que o faz ter uma consciência igualmente clara de que também tem uma história à sua frente.”

Perante estes dois cenários que importância devemos dar à nossa herança genética? As sábias palavras de D. Fernando Mascarenhas ao seu sucessor também diziam “Sê primeiro um homem e, depois, só depois, mas logo depois, um aristocrata. Pensa primeiro pela tua cabeça. Se tiveres dúvidas pensa no que teriam pensado os teus avós. Mas mesmo quando sentires que o deves fazer, não esqueças nunca que o momento em que estás a pensar é outro momento, é um momento diferente daquele em que o teu pai, o teu bisavô ou a tua décima avó, pensaram.”

De facto, não teremos todos nós na ascendência familiar personagens de boa e má memória? Certamente que sim, pelo que em primeiro lugar somos indivíduos únicos, com caraterísticas únicas, mas que não devem ignorar a sua herança genética e histórica.

Devemos orgulharmo-nos dos excelentes exemplos que nos antecederam para saber honrá-los e dignificá-los e devemos “corrigir” os maus exemplos, com a consciência que estes nos lembram o que não se deve fazer ou ser.

Com efeito, os genes sendo importantes, são uma parte do indivíduo, não fazem o indivíduo.

A voz dos sábios

A capacidade de tomar as decisões mais acertadas está dependente de muitos fatores, designadamente da qualidade da informação a que os decisores têm acesso.

Acresce a esta necessidade o facto dos detentores da boa informação, que vou chamar de sábios, não corresponderem aos decisores.

Nestas circunstâncias é fundamental que os decisores sejam capazes de humildemente descerem dos seus pedestais para ouvirem a voz dos sábios.

Recordo a este propósito as palavras de D. Duarte de Bragança em A Utopia e os Pés na Terra sobre o Professor Gonçalo Ribeiro Telles:

“Sempre achei que o Professor estava à frente do seu tempo, o que levou a que muitas das suas ideias fossem aceites muito tempo depois. Infelizmente para Portugal isto costuma acontecer, porque existe um abismo entre quem sabe e quem toma as decisões.”

É precisamente a propósito deste tema que resolvi escrever esta pequena reflexão despoletada por um dos livros que tenho atualmente na mesa de cabeceira e do qual vou lendo algumas páginas de “quando em quando”.

O livro a que me refiro é uma compilação de crónicas do Professor Gonçalo Ribeiro Telles editada recentemente pela Real Associação de Lisboa sob o título “Porque sou monárquico”.

RT-2546

A última crónica que li “Memória e futuro” escrita pelo Professor Gonçalo Ribeiro Telles nas comemorações dos 60 anos do Centro Nacional de Cultura revela toda a sua sapiência e capacidade de síntese para deixar mensagens importantes e decisivas para o futuro do país e que, na minha modesta opinião, não têm sido devidamente ponderadas pelos decisores.

Nesta crónica, em cerca de cinco páginas, é dada uma lição de ordenamento do território virada para o futuro, mas sem esquecer o passado no qual o nosso território está alicerçado, ou seja, são cinco páginas com um conteúdo valiosíssimo e que substitui as centenas ou milhares de outras pertencentes a relatórios e estudos que conduziram o nosso país ao estado atual em termos de desordenamento (o ano de 2017 ficará sempre gravado na memória dos portugueses pelas piores razões).

Em quatro parágrafos é descrita a paisagem portuguesa, bem como a sua  importância para os diferentes setores de atividade.

Deixo aqui dois exemplos bem claros:

“As matas de carvalho e o pinhal manso constituem espaços homogéneos que, juntamente com as sebes, valados e muros, também contribuem para fechar os campos de cultura e os prados.”

“Os matos constituem um manto biodiversificado e belo que cobre as áreas de maior altitude, as encostas mais abruptas e os solos mais pobres, tradicionalemente pastados por cabras. São importantes para a permanência da vida silvestre e da caça, para a produção de mel, carne e queijo e poderão vir a servir para o desenvolvimento de uma indústria farmacêutica e de cosméticos.”

Mais uma vez a simplicidade e a síntese, mas sem perder nada do essencial e não sacrificando o rigor técnico da mensagem.

Em resumo, basta fazer aquilo que as sociedades mais primitivas já faziam e nós parecemos esquecer:

ouvir com atenção a voz dos sábios e agir em conformidade.