Os Portugueses e a produtividade

A produtividade dos Portugueses no trabalho é um argumento muito utilizado por todas as áreas políticas, embora com objetivos diferentes.

Com efeito, aqueles que acham que os nossos salários são baixos dizem que somos pouco produtivos porque o nível salarial é demasiado baixo. Por outro lado, temos aqueles que dizem que primeiro é necessário aumentar a produtividade e a subida salarial é uma consequência desse aumento.

Ora, ressalvando que não sou nem economista, nem político, nem especialista em gestão de recursos humanos, mas sou um recurso humano, entendo que todos temos uma opinião sobre a produtividade, a sua importância e sobre os fatores que mais contribuem para o seu resultado.

De facto, estou cada vez mais convencido que a falta de produtividade não é uma característica dos Portugueses, não é uma inabilidade inata com que nascemos, não é uma fatalidade.

Aliás, os Portugueses são conhecidos pela sua grande capacidade de trabalho quando estão inseridos noutros ambientes, pela sua grande capacidade de adaptação a novas realidades e culturas organizacionais. Nunca é de mais relembrar que fomos importantes na recuperação da Europa na segunda metade do século XX, designadamente em França, ou que, por exemplo, 30 % da população do Luxemburgo é Portuguesa e este é um país com níveis salariais e de qualidade de vida muito elevados.

Em resumo, parece-me claro que a falta de produtividade não é uma fatalidade do povo lusitano. Antes pelo contrário, temos é uma grande capacidade de adaptação.

Então, por que razão será o nosso país pouco produtivo? Aliás, uma consulta ao sítio da Pordata (www.pordata.pt) permite constatar que o país mais produtivo da UE 27 é precisamente o Luxemburgo e Portugal está na segunda metade da tabela acompanhado de todos aqueles que entraram na União Europeia muito depois de 1986.

É assim que antes de pensarmos como aumentar a produtividade ou conformarmo-nos com o alegado fado de sermos pouco produtivos, devemos procurar a verdadeira causa da falta de produtividade em Portugal e da excelente produtividade dos Portugueses noutros ambientes.

Para mim, que recordo que não sou um especialista de recursos humanos, mas sou um recurso humano, a chave está nas lideranças e na cultura organizacional. E não sou o único a pensar assim (ver este artigo e lê-lo com muita atenção).

Qual é o incentivo para ser produtivo para o colaborador de uma empresa, de uma indústria, de uma instituição pública, quando as suas lideranças movem-se pelos privilégios de ser líder e não pela responsabilidade de liderar. A verdade é que a ascensão nas carreiras profissionais está centrada, em regra, pela vontade de ganhar mais, pela vontade de um carro melhor, pela vontade de ter um gabinete e deixar de estar em open space, pela vontade de mandar e não ser mandado.

Qual é o incentivo de um trabalhador para ser produtivo quando ganha 52 vezes menos comparativamente aos que o dirigem (ver este artigo relativo a 2018)?

A ascensão nas carreiras profissionais deveria ser motivada pela possibilidade de fazer diferente, pela possibilidade de fazer melhor, pela possibilidade de contribuir positivamente para um determinado desiderato, pela possibilidade de definir um propósito.

Um líder não é um privilegiado, é um “responsabilizado”.

Mas como esta não é, infelizmente, a realidade média portuguesa, os Portugueses usam a sua incrível capacidade de adaptação, que é muitas vezes confundida com “desenrascanço”, para sobreviver numa cultura organizacional muito desigual que grassa em Portugal, quer em instituições privadas, quer em instituições públicas.

Infelizmente, um dos resultados desta adaptação é uma efetiva produtividade baixa que mutila a nossa possibilidade de melhorarmos a qualidade de vida de todos e de cada um.

Por todas estas razões, acredito firmemente que para Portugal aumentar a sua produtividade significativamente terá que mudar de lideranças ou as lideranças atuais terão que mudar a sua atuação.

Se assim não for estaremos condenados a fechar o pelotão numa corrida onde só vemos as costas dos melhores.

Crises e oportunidades

“É urgente eliminarmos da mente humana a ingénua suposição de que seja possível sairmos da grave crise em que estamos mergulhados, usando o mesmo pensamento que a produziu.” (Albert Einstein)

Há mais de um ano escrevi um artigo neste blogue intitulado Uma Sociedade das Nações, no qual defendo a ideia de ser repensada a organização mundial, designadamente para os assuntos ou problemas que afetam a Humanidade de forma global e para os quais as fronteiras administrativas definidas pelo Homem não fazem sentido.

É opinião de vários pensadores que o formato encontrado depois da Segunda Grande Guerra, designadamente a Organização das Nações Unidas, bem como outras organizações globais, está esgotado na sua função e já não responde aos novos desafios globais.

Com efeito, a atual crise pandémica tem evidenciado reações muito individualizadas por parte dos diferentes países e mesmo dentro da União Europeia quando se esperava uma ação concertada pela Comissão e com o apoio técnico e científico do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, cuja missão é “Reforçar a capacidade de defesa da Europa contra as doenças infeciosas”, assistimos a estratégias, por vezes díspares, dos diferentes Estados-membros.

É interessante verificar que no sítio da internet deste centro europeu já constava em 2019 que uma das áreas que deveria ser acompanhada com especial cuidado era o apoio à Comissão Europeia e aos diferentes Estados-membros para incrementar a respetiva capacidade de resposta às ameaças transfronteiriças de saúde .

Parecem familiares estas ameaças transfronteiriças de saúde, não parecem?

A verdade é que perante um problema global, ou não fosse esse o significado etimológico de pandemia, temos assistido a reações e estratégias exclusivamente nacionais com resultados nacionais diferentes, mas com um mesmo resultado global: a pandemia não está a abrandar!

É assim que perante uma crise temos uma oportunidade para mudar, para encontrar uma nova ordem mundial que dê uma resposta capaz aos problemas que são globais como a pandemia que vivemos, ou as alterações climáticas, ou a cibersegurança, ou a proteção dos oceanos, ou a proteção das florestas como a Amazónia, para dar apenas alguns exemplos.

É neste sentido que Edward Fishman (conselheiro da administração Obama) defende que esta crise é a oportunidade ideal para a criação desta nova ordem mundial num artigo publicado em março último, tal como as duas grandes guerras na primeira metade do século XX foram a crise que permitiram a criação de diversas organizações como a já referida Organização das Nações Unidas (24 de outubro de 1945), bem como a Organização Mundial da Saúde (7 de abril de 1948).

Temos que exigir aos nossos líderes que pensem globalmente, que não se esqueçam que a Humanidade é só uma, que o planeta Terra é só um e que os problemas que afetam a nossa e outras espécies é de todos.

Os problemas globais precisam de análises globais, de respostas globais, de soluções globais.

Não esqueçamos que somos mais de 7 mil milhões, mas somos apenas uma espécie em cerca de 9 milhões.

Analisar, corrigir e aprender

Os números desta epidemia em Portugal não mostram abrandamento e temos assistido a tentativas desesperadas para encontrar culpados e que têm redundado em fracassos, dado que sempre se encontra um alegado culpado pela não diminuição dos números rapidamente se percebe que afinal não era “ele” e há que encontrar outro para “entreter” as notícias e as conversas de café.

Continuamos todos a acreditar que há um conjunto de pessoas cuja única ocupação diária é conspirar e enganar os portugueses. Eu não faço parte do grupo que acredita nas conspirações, eu faço parte do grupo que acredita que a maioria dos envolvidos faz o melhor que sabe e o melhor que pode. Contudo, a verdade é que esta epidemia apenas tem demonstrado as fragilidades existentes no nosso País, que têm sido ignoradas há décadas e cuja resolução pelos diferentes gestores passa essencialmente por minimização das consequências que os problemas trazem em vez de se centrarem na resolução das suas causas.

Este é um aspeto crucial na resolução definitiva dos problemas, que quando não é implementado dificulta-nos a capacidade de resposta em situações de emergência. Estejamos todos cientes que em situações de emergência, os seus agentes causadores (fenómeno meteorológico, incêndio, inundação, seca, um desastre ambiental, um problema de saúde pública), não são sensíveis às nossas incapacidades orçamentais de capacitar melhor os técnicos que existem, de investir mais em investigação e desenvolvimento, de desenvolver tecnologias e estratégias que incrementem a resiliência da sociedade perante as ameaças, de contratação das pessoas certas para os lugares certos.

Temos que assumir, de uma vez por todas, que há necessidade de estarmos preparados, que há necessidade de desenvolver e implementar efetivamente enquadramentos regulatórios que sejam capazes de em situações de rotina manter-nos alerta e em situações de emergência dotar-nos de uma capacidade de resposta imune aos profetas da desgraça e aos fanáticos das teorias da conspiração.

Concretizando para a situação que vivemos, a notícia que partilho traz uma metodologia que está em desenvolvimento acelerado na Holanda e que outros países, incluindo Portugal, também estão a acompanhar e a implementar.

Esta metodologia dá-nos uma nova visão das águas residuais (esgotos), que deixam de ser apenas um objeto de tratamento para proteção do ambiente e um recurso de reutilização da água, para passarem também a ser um espelho das nossas atividades, dos nossos consumos.

E esta nova visão tem uma utilização imediata para acompanharmos a evolução da epidemia de COVID-19 e até validar os números que são todos os dias, num esforço só compreendido pelos envolvidos e merecedor de um reconhecimento de todos nós, divulgados em conferências de imprensa.

É preciso que tenhamos todos noção que nos bastidores de uma conferência de imprensa diária que dura alguns minutos está um trabalho hercúleo efetuado por muita gente, muitas vezes em condições técnicas e de recursos humanos muito dificeis. E, por esse esforço, deixo aqui os meus parabéns e o meu agradecimento a todos aqueles que recolhem amostras, analisam amostras, produzem resultados, reportam resultados, interpretam resultados, decidem em função de resultados e apresentam publicamente as suas conclusões.

Os ensaios da água residual podem vir mostrar que os números e as tendências estão corretas ou, em caso contrário, identificar as fragilidades que importa corrigir agora e para sempre.

Ninguém faz tudo bem, ninguém acerta sempre, ninguém tem as soluções certas para tudo.

A nossa obrigação é estarmos preparados, atentos e capazes de reagir às dificuldades que todos os dias surgem e importa resolver. Mas também é importante que saibamos que corrigir é normal, o que não é normal numa situação de emergência é acertar nas respostas todas, o que não é normal é exigir que se acerte nas respostas todas.

Voltando à monitorização das águas residuais, não esqueçamos que esta metodologia não deve ser esquecida depois de tudo passar, ou seja, como se diz agora na altura em que #vaificartudobem.

Esta metodologia deve ser consagrada como ferramenta de monitorização regular de prevalência de doenças, de produtos químicos que estejam na cadeia alimentar, de consumo de fármacos ou substâncias ilegais, por exemplo. É fundamental que os estudos existentes nestas áreas tenham uma consequência nas rotinas de monitorização dos agentes responsáveis pela proteção ambiental, pela proteção da saúde pública, pela proteção da segurança alimentar, pela proteção no consumo de medicamentos, pela utilização de produtos de cuidado pessoal nocivos, pela proteção da nossa segurança.

Uma Sociedade das Nações

No meu artigo “A página das soluções” escrevi sobre o livro de Stephen Hawking que foi publicado pouco tempo depois da sua morte e sobre algumas mensagens que retirei da sua leitura (também podem ver este vídeo sobre o mesmo assunto).

Uma dessas mensagens, talvez a mais importante, é a noção de unidade da Humanidade que se tem quando olhamos para o planeta Terra “de fora”, do Espaço. Esta mensagem de unidade, apesar de óbvia, não é de implementação fácil, sendo considerada por muitos uma utopia.

Aliás, sendo eu um monárquico convicto e defensor do Estado-Nação que é Portugal, esta mensagem de unidade da Humanidade pode ser um pouco paradoxal e criadora de conflitos nas minhas reflexões.

Contudo,além de monárquico sou bioquímico e, nesta vertente, o conceito de unidade da Humanidade não oferece qualquer resistência, dado que do ponto de vista biológico não há diferenças assinaláveis entre as diferentes comunidades de Homo sapiens. De facto, quando procuramos diferenças elas apenas existem nos aspetos construídos pelo Homem (organizaçao social, religiosa ou cultural), como tão bem refere Yuval Noah Harari no seu livro “Sapiens – História Breve da Humanidade”.

Mas de que modo é que o conceito de unidade da Humanidade liga com o título deste artigo, com a existência de uma Sociedade das Nações? Ora, como já escrevi neste blogue a minha atração pelo passado e pela história é, de certo modo, compensada pelo meu fascínio pelo futuro, pela exploração espacial e pelo desenvolvimento da ciência.

Este interesse pelo futuro materializo-o no “consumo” de ficção científica, além do acompanhamento das novidades que as diferentes áreas da ciência nos vão oferecendo todos os dias. Ora, a ficção científica é muitas vezes uma janela para o futuro, o buraco da fechadura através do qual podemos ver “o que vem a seguir”.

Uma das coisas que tenho “espreitado” é este conceito de Sociedade das Nações, mas gostava primeiro de vos deixar aqui uma analogia: imaginem que o bairro onde moram representa o planeta Terra e cada casa uma nação. De que serve terem a vossa casa organizada e limpa se o bairro no seu conjunto viver no caos, ou seja, sendo verdade que é muito importante que cada um cumpra o seu papel, existe sempre uma necessidade adicional de organização macro que faça a gestão dos interesses coletivos na ótica comunitária.

A verdade é que enquanto persistirem e vingarem as diferenças entre as diversas comunidades de Homo sapiens esta visão de uma Humanidade una nunca passará do espectro das ideias.

São várias as obras de ficção científica que preconizam a existência de uma Sociedade das Nações, de um governo mundial, de uma estrutura supranacional. Estou consciente que a ideia de concentração de poder coloca muitos problemas e desvantagens, mas também sei que sem uma harmonização e harmonia entre todas as “casas do bairro” em matérias essenciais para a sobrevivência da Humanidade, a manutenção da nossa existência é uma realidade cada vez mais longínqua.

Recentemente foram transmitidas duas temporadas da série televisiva Mars que aborda a possibilidade de “terraformarmos” o planeta vermelho (Marte) para uma eventual colonização pelo Homem. É importante realçar que o conteúdo desta série está muito mais próximo da realidade do que da ficção científica numa perspetiva de médio prazo. Numa vertente mais ficcional recomendo o visionamento da série The First transmitida em Portugal pelo canal AMC.

Ora, esta preocupação de colonizar outro planeta não é apenas curiosidade natural do Homem, mas também uma necessidade dado o rumo que temos dado ao planeta Terra. Recordo que Stephen Hawking referiu mais do que uma vez que a colonização de outro planeta é um processo indispensável à sobrevivência da espécie humana, uma vez que as condições do planeta Terra e a forma como estamos a usar (melhor é abusar) dos seus recursos irão conduzir a um estado de insustentabilidade que é incompatível com a vida humana. Este grande cientista deu como última previsão o prazo de 600 anos para o Homem atingir este objetivo de colonização.

A série Mars retrata muito bem alguns dos problemas de governação que poderão ocorrer e a sua dificuldade de resolução mesmo num enquadramento de governação mundial. Considerando que a exploração espacial deve ser, e é cada vez mais, um projeto global é fundamental que os modelos de governação também evoluam para a globalidade e colocando em segundo plano as diferenças não biológicas entre as diferentes comunidades de Homo sapiens.

Para um objetivo uno que é a nossa sobrevivência, precisamos de uma Humanidade una e de uma governação una.

A voz dos sábios – parte 2

Há cerca de um ano escrevi neste blogue um artigo sobre o professor Gonçalo Ribeiro Telles intitulado “A voz dos sábios” e no qual defendi a importância da nossa sociedade recuperar o antigo mas muito válido costume de dar voz aos sábios.

Hoje voltei a ter o impulso de partilhar com todos aqueles que se cruzam com estas palavras mais uma “voz de sábio”. De facto, tenho andado a ouvir umas entrevistas de um podcast do Expresso intitulado “A beleza das pequenas coisas” e a que foi feita ao professor Sobrinho Simões deixou-me siderado.

O espanto, a admiração e todos os demais adjetivos que possa aqui escrever não traduzirão as mensagens comunicadas por este grande cientista que é admirado e respeitado no mundo inteiro.

Foi a sua sabedoria técnica na área da patologia, designadamente a que está ligada ao cancro, mas acima de tudo foi a normalidade de um homem extraordinário por mais paradoxal que isto possa parecer. Sendo o professor Sobrinho Simões o melhor da sua área, também é um pai, um avô, um marido, um médico, um amante de música, cinema ou leitura que exprimiu sem qualquer pudor o que gostava ou não gostava sem se preocupar com o politicamente correto.

E tudo dito com uma serenidade, diria mesmo com ternura e assumindo as suas preferências, os seus medos, as suas idiossincracias, os seus defeitos com uma naturalidade imbatível.

Com ele aprende-se que as pessoas normais podem ser extraordinárias ou, se quiserem, que as pessoas extraordinárias são pessoas normais e nem por isso perdem o seu encantamento, a sua capacidade de serem referência para muitos.

Por tudo isto, recomendo-vos que ganhem uma hora da vossa vida a ouvir esta entrevista incrível porque a voz dos sábios deve ser sempre ouvida!

A página das soluções

Não sei se acontece o mesmo com toda a gente, mas sinto um fascínio semelhante pelo passado e pelo futuro, não conseguindo definir o que me atrai mais. 

Na verdade, um bom filme ou livro de ficção científica são tão satisfatórios como um romance histórico ou uma obra que versa sobre um povo ou época passados. 

Mas hoje vamos falar do futuro, vamos falar daquilo que podemos esperar para as próximas décadas ou séculos e para isso precisamos de ouvir quem tem a autoridade intelectual para fazê-lo.

Para tal sugiro ouvirmos Stephen Hawking que, naquele que eu considero o seu grande legado para o cidadão comum, o livro Brief Answers to the Big Questions (em português Breves Respostas às Grandes Perguntas), deixa-nos a sua visão do futuro e a resposta (possível) a algumas questões que angustiam a Humanidade desde sempre. 

Este livro é mais uma demonstração da imensa inteligência daquele que foi provavelmente a mente mais brilhante da era moderna apesar das enormes dificuldades físicas que teve que enfrentar, mas soube sempre superar. E a sua inteligência está demonstrada, quer na capacidade para dar respostas a perguntas muito difíceis, quer na simplicidade com que o faz permitindo a qualquer um de nós ler e perceber. 

São dez as perguntas formuladas, para as quais tomo a liberdade de fazer uma tradução livre:

  1. Será que existe um Deus?
  2. Como é que tudo começou? 
  3. Existe mais vida inteligente no universo? 
  4. É possível prever o futuro? 
  5. O que está dentro de um buraco negro? 
  6. É possível viajar no tempo? 
  7. A espécie humana sobreviverá na Terra? 
  8. Devemos colonizar o espaço? 
  9. A inteligência artificial ficará mais inteligente que a Humanidade? 
  10. Como é que poderemos moldar o futuro? 

Não quero estragar o prazer da leitura deste livro fazendo um resumo das respostas, mas quero partilhar algumas mensagens que “recebi” ao viajar pelas páginas desta obra. 

A primeira mensagem, e talvez a mais importante, é a da unidade da espécie humana quando se observa o planeta Terra “de fora”, do espaço. Esta é uma sensação muito diferente daquela que temos enquanto habitantes deste planeta, dado que todos os dias somos confrontados com as divisões que a espécie humana criou, sejam elas culturais, sociais, raciais, religiosas ou outras. Será que ainda vamos perceber a tempo que somos apenas uma espécie que deve conviver unida e com o objetivo de garantir a sua sobrevivência na Terra em harmonia? 

A segunda mensagem está relacionada com a sua data de nascimento, 8 de janeiro de 1942, que ocorre exatamente 300 anos depois da morte de Galileu Galilei (8 de janeiro de 1642). Ora, para muitos este facto era visto não como uma coincidência, mas como um sinal de algo. O espírito científico de Stephen Hawking “destrói” rapidamente qualquer misticismo da sua data de nascimento ao referir que naquele mesmo dia nasceram cerca de 200 000 novos habitantes do planeta Terra, ou seja, ele não era especial por isso. 

A terceira mensagem, que me diz muito, está relacionada com a importância que os professores têm na nossa vida e no nosso crescimento. De facto, Stephen Hawking refere que os professores são importantes pelo conhecimento técnico que nos transmitem, mas também pela forma como nos transmitem esse conhecimento e como partilham com os seus alunos o conhecimento da vida.

A última mensagem que recebi da leitura deste livro também pode, de alguma forma, ser encontrada no livro Sapiens – a brief history of Humankind (em português, Sapiens – história breve da Humanidade) de Yuval Noah Harari. Com efeito, ambos os autores partilham da ideia que a evolução postulada por Charles Darwin da sobrevivência do mais apto/adaptado é hoje uma evolução desenhada pelo Homem, que é necessariamente mais responsabilizante para a Humanidade. Será que estamos “à altura” de receber essa responsabilidade?

São estas as quatro mensagens que destaco da leitura deste livro, mas que não retiram a curiosidade a todos aqueles que ainda não o leram.

Termino referindo que o título deste artigo refere-se ao facto de Stephen Hawking estar neste momento a consultar a “página das soluções” depois de ter procurado resolver alguns dos problemas da Humanidade neste seu último livro. 

23 de agosto de 1893

23 de agosto de 1893

Neste dia foi instalado o primeiro de um conjunto de cabos telegráficos submarinos entre os Açores e Portugal continental, mais concretamente entre a cidade da Horta na ilha do Faial e Lisboa (Carcavelos).

Resultado de imagem para cabos telegraficos submarinos horta lisboa

(Imagem do Núcleo Filatélico de Angra do Heroísmo)

Personalidade nascida neste dia

No dia 23 de agosto de 1933 nasceu no Estoril António Henrique Rodrigo de Oliveia Marques, que viria a ser um grande historiador português, além de professor universitário e maçon.

Foi ainda diretor da Biblioteca Nacional entre 1974 e 1976.

Os seus trabalhos como historiador centraram-se nos períodos da Idade Média e da Primeira República, além de ter abordado a Maçonaria também.

No que concerne à sua atividade como maçon iniciada em 1973, foi Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano entre 1984 e 1986 e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho de Grau 33 entre 1991 e 1994.

As suas qualidades foram superiormente reconhecidas com a atribuição da Grã-Cruz da Ordem da LIberdade pelo presidente da república, Dr. Jorge Sampaio, no dia 2 de outubro de 1998.

Morreu no dia 23 de janeiro de 2007 em Lisboa.

Resultado de imagem para a. h. oliveira marques

 

22 de agosto de 1415

22 de agosto de 1415

Na manhã deste dia, as forças portuguesas constituidas por cavaleiros e soldados portugueses, ingleses, galegos e biscainhos conquistaram a cidade de Ceuta sem grande resistência dos mouros.

Refira-se que nesta conquista participou a aristocracia portuguesa mais relevante do século XV, incluindo o herdeiro ao trono, D. Duarte, os infantes D. Pedro e D.Henrique, assim como o Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

Embora os resultados da conquista de Ceuta não tenham sido os esperados, a verdade é que constituiu o primeiro passo para a expansão ultramarina daquele que viria a ser o império Português.

Resultado de imagem para conquista de ceuta

Personalidade nascida neste dia

No dia 22 de agosto de 1823 nasceu Manoel da Rocha Romariz, que foi o fundador da Casa de Romariz ligada à produção de vinho do Porto.

A familia manteve a gestão desta casa até 1966 quando foi vendida à empresa Guimaraens & Co donos da marca Fonseca.

Morreu no dia 8 de abril de 1892 na mesma terra onde nasceu, Mafamude em Vila Nova de Gaia.

 

21 de agosto de 1808

21 de agosto de 1808

Neste dia foi travada a Batalha do Vimeiro no decurso da primeira invasão francesa.

Defrontaram-se as forças francesas, comandadas pelo famoso General Junot, e as forças anglo-lusas comandadas pelo Tenente-general Arthur Wellesley que saíram vitoriosas.

Esta vitória ditou o fim da primeira invasão francesa.

Personalidade nascida neste dia

No dia 21 de agosto de 1643 nasceu em Lisboa aquele que viria a ser o rei D. Afonso VI, que viria a receber o cognome de “O Vitorioso”.

Reinou entre 6 de novembro de 1656 e 12 de setembro de 1683, tendo sido aclamado a 15 de novembro de 1657.

Não estava destinado a reinar, mas as mortes do seu irmão, Teodósio de Bragança, e da sua irmã Joana determinaram que assumisse o trono de Portugal apesar da sua fraca preparação e dos problemas de saúde que teve em criança.

O seu reinado ficou marcado pelas diversas vitórias sobre Espanha na Guerra da Restauração.

Estas vitórias e outros pontos importantes do seu reinado não foram suficientes para evitar a sua destituição pelo irmão, D. Pedro II, que inclusivamente viria a casar com a sua mulher, a francesa Maria Francisca Isabel de Sabóia.

Morreu em Sinta no dia 12 de setembro de 1683.

Uma visão da sociedade

As nossas vidas são uma soma de decisões, algumas boas, outras nem por isso. Mas todas elas devem merecer da nossa parte uma reflexão, devendo constituir uma aprendizagem contínua como se o tempo nos permitisse indefinidamente corrigir o que foi mal feito e repetir as boas opções.

Esta aprendizagem é fundamental para tentarmos entender o mundo em que vivemos, a sociedade onde estamos inseridos e da qual somos também “construtores” ativos.

No meu caso pessoal e sem qualquer pretensão de achar que estou a “descobrir a pólvora”, as minhas reflexões construíram um modelo de sociedade muito simples estratificado em três níveis entre os quais todos nós nos movemos.

Ética (nível 3)

Legal (nível 2)

Ilegal (nível 1)

Figura 1 – A sociedade e os seus níveis segundo Luís Simas

Se cada uma das nossas atitudes ou decisões pudesse ser representada por um ponto e os critérios para colocar cada ponto no respetivo nível estivessem muito bem definidos, o que distinguiria cada elemento da sociedade era a posição da mancha formada pelos diversos pontos.

Uma mancha mais concentrada no nível 1 representaria aqueles que vivem à margem da lei, outra mais presente no nível 2 representaria todos aqueles que manifestam um comportamento em conformidade com as regras estabelecidas, enquanto que uma mancha predominantemente no nível 3 seria representativa de todos aqueles que pautam as suas atitudes e decisões segundo critérios de ética.

O que devemos fazer nos diversos momentos da vida é analisar onde está a nossa mancha e se a queremos deslocalizar para outro nível e este procedimento é a nossa reflexão sobre o caminho que seguimos no passado e que queremos passar a seguir no futuro.

Idealmente, o que devemos procurar todos é “ascender” ao nível 3, ou seja, gerirmos todas as nossas decisões por critérios éticos. Ora, esta “ascensão” é certamente uma utopia, mas que todos deveríamos perseguir.

Mas a simples referência a critérios éticos fazem-nos associá-los a questões fraturantes e complexas como a eutanásia, a interrupção voluntária da gravidez ou a utilização de barrigas de aluguer, por exemplo.

No entanto, existem questões bem mais simples e que podemos facilmente analisar com base na estrutura representada na figura 1. Assim, pensemos no cumprimento dos limites de velocidade estipulados pelo código da estrada e na seguinte questão:

Por que razão cumprimos os limites de velocidade?

A resposta correspondente ao nível 1 é muito simplesmente “não cumprimos”.

Se a nossa decisão corresponder ao nível 2 significa que a razão associada ao cumprimento dos limites de velocidade é não querer incorrer numa infração para não ser multado.

Contudo, se a nossa decisão for norteada por critérios éticos, ou seja, nível 3, é porque consideramos que o cumprimento dos limites de velocidade é mais seguro para nós e para os outros.

De facto, este exemplo numa questão não fraturante evidencia que uma decisão de nível 3 tem como consequência o cumprimento dos critérios constantes do nível 2, ou seja, cumprimento da lei, e um afastamento claro do nível 1, ou seja, da ilegalidade.

Este exemplo constitui também uma boa forma de demonstrar que o cumprimento da lei deve ser uma consequência das nossas decisões baseadas em critérios éticos e não o contrário.

Um olhar mais atento às notícias com que somos “bombardeados” todos os dias levam-nos a identificar inúmeros exemplos de comportamentos que quase unanimemente são errados, mas que são contrapostos pelos alegados infratores pelo estrito cumprimento da lei.

Ora, a mensagem que gostaria de deixar é que quando alguém invoca incessantemente o cumprimento da lei para justificar algum comportamento ou decisão, certamente algum critério ético está “ferido de morte”.