Viajar no tempo

20171118_145420273_iOS

O Homem desde que tomou consciência da sua existência e das suas capacidades procurou fazer aquilo que a Natureza muitas vezes lhe vedava, por exemplo voar ou explorar o fundo dos oceanos.

A verdade é que acabou por encontrar diferentes formas de voar e de explorar o fundo dos oceanos, parecendo que não existiam desafios inultrapassáveis.

Contudo, há um desejo do Homem que permanece por satisfazer: viajar no tempo, ser capaz de ir ao passado e espreitar o futuro. Mas será que este desafio é inultrapassável ou já é possível viajar no tempo, mesmo que de forma aproximada. A verdade é que o Homem consegue voar, mas não tem asas; consegue nadar, mas não tem a capacidade natural de respirar debaixo de água, ou seja, superou os desafios recorrendo à tecnologia, à ciência, à sua capacidade inventiva e, naturalmente, à sua coragem.

Mas voltemos às viagens no tempo que pululam no nosso imaginário e fazem parte de incontáveis obras literárias que nos fizeram sonhar. Como podemos nós viajar no tempo?

As viagens no tempo pressupõem poder regressar ao passado ou visitar o futuro, mas não podemos esquecer que, embora o futuro exerça um fascínio muito grande, mantém-se muito a ideia que o passado é apenas uma memória romântica, mas atrasada e que não importa aprofundar. Não são raras as vezes que se ouve “isso era antigamente” ou “os tempos mudaram”, por exemplo. Estas são expressões que menorizam o passado ao contrário do futuro que está sempre associado ao progresso e à evolução.

Mas…e as viagens no tempo? Como é que as fazemos?

A réplica de um barco antigo a navegar em direção ao horizonte lembrou-me a ousadia, a coragem, o pioneirismo do povo português quando se lançou em direção ao desconhecido. No momento em que vi o barco parecia que se tinha aberto uma “janela do tempo” e tinha regressado o povo que, contra tudo e contra todos, conquistou meio mundo deixando marcas culturais indeléveis como nenhum outro povo colonizador e que ainda hoje se veem e visitam nas sete partidas do planeta azul.

Ao ver aquele barco e ao imaginar a “janela do tempo” pensei que tinha regressado aquele que foi e é potencialmente o melhor povo do mundo para trazer de novo, mas em moldes diferentes, a grandeza lusa.

Ao ver aquele barco percebi que viajar no tempo não precisa da resolução de equações complicadas nem de mecanismos elaborados com materiais que ainda não existem. Para viajar no tempo basta trazer para o presente aquilo que o passado nos ensinou para construirmos o futuro.

É assim que, sem máquinas e sem arriscar a nossa vida, podemos viajar no passado e preparar o futuro. Para isto basta eliminar a ideia que o passado é atrasado e retrógrado e o futuro é progresso e evolução.

Temos que trazer para o presente a energia que no passado iluminou os faróis e facilitou a navegação para cruzarmos novamente os mares em direção ao futuro.

Um ano da história de Portugal

A história de Portugal é de tal forma rica que seria possível todos os dias do ano comemorar alguma efeméride.

Sem a presunção de conseguir encontrar os 365 factos históricos mais relevantes, procurarei durante o próximo ano encontrar um acontecimento importante para cada dia e relatá-lo de forma muito simplificada com o intuito de apenas assinalá-lo. A colaboração de todos aqueles que tropeçarem nestes textos e quiserem sugerir algum evento será muito bem vinda.

Chamo a atenção que não quero substituir-me aos livros de história, nem tão pouco procurar interpretá-la, porque os meus conhecimentos não o permitem. Pretendo apenas evidenciar a grandeza deste povo que, com uma história quase milenar, esquece-se dos seus feitos, das suas qualidades e das suas características.

O ponto de partida será o 5 de outubro e, como devem imaginar, não para relembrar um crime hediondo contra a Pátria, mas para recordar que nesse dia do ano de 1143 D. Afonso Henriques é reconhecido como rei de Portugal através do Tratado de Zamora.

Será esta a estação de partida de uma viagem que terminará no dia 4 de outubro de 2016 e que espero que seja agradável para todos aqueles que decidirem viajar nestas carruagens.

Conhecer o passado é preparar o futuro!