Um ano da história de Portugal

A história de Portugal é de tal forma rica que seria possível todos os dias do ano comemorar alguma efeméride.

Sem a presunção de conseguir encontrar os 365 factos históricos mais relevantes, procurarei durante o próximo ano encontrar um acontecimento importante para cada dia e relatá-lo de forma muito simplificada com o intuito de apenas assinalá-lo. A colaboração de todos aqueles que tropeçarem nestes textos e quiserem sugerir algum evento será muito bem vinda.

Chamo a atenção que não quero substituir-me aos livros de história, nem tão pouco procurar interpretá-la, porque os meus conhecimentos não o permitem. Pretendo apenas evidenciar a grandeza deste povo que, com uma história quase milenar, esquece-se dos seus feitos, das suas qualidades e das suas características.

O ponto de partida será o 5 de outubro e, como devem imaginar, não para relembrar um crime hediondo contra a Pátria, mas para recordar que nesse dia do ano de 1143 D. Afonso Henriques é reconhecido como rei de Portugal através do Tratado de Zamora.

Será esta a estação de partida de uma viagem que terminará no dia 4 de outubro de 2016 e que espero que seja agradável para todos aqueles que decidirem viajar nestas carruagens.

Conhecer o passado é preparar o futuro!

A alma portuguesa

O Homem tem tendência para se agrupar de acordo com interesses e objetivos comuns, o que, de acordo com a antropologia, é uma evolução dos movimentos tribais.

Na verdade, o Homem não é uma espécie naturalmente solitária e, mesmo hoje, precisa da sua integração nas “tribos” modernas que podem ser a associação do bairro, o grupo desportivo, o clube de futebol ou o partido político. Pode ser o grupo de jovens, o grupo de voluntários, o grupo religioso ou até outros grupos com fins considerados socialmente menos próprios. No entanto, o que se retém nesta diversidade de opções é a necessidade de se agrupar, de ser reconhecido pelos seus pares, de evidenciar as suas qualidades para serem reconhecidas na “tribo” em que está integrado.

Elevando esta análise para a dimensão nacional, ou seja, para a nacionalidade, para o orgulho de pertencer a um país, para a necessidade de manter as tradições culturais, para a necessidade de comunicar numa determinada língua, facilmente chegamos todos à conclusão que há uma “alma portuguesa”. Todos nós entendemos que há um “sentir português”, que há um significado especial para a palavra saudade.

Mas afinal de contas, se pudéssemos olhar para dentro da alma portuguesa, que conteúdo encontraríamos?

Será a emoção do fadista ao ouvir o trinar da guitarra portuguesa?

Será o companheirismo e a solidariedade dos homens que pisam as uvas no lagar enquanto entoam cânticos para manter a energia?

Será a angústia da mãe que vê o barco de pesca a afastar-se na linha do horizonte sem ter a certeza se volta a ver o filho que partiu para a faina?

Será a coragem do forcado que bravamente se coloca na cara do toiro?

Será o orgulho com que o campino cavalga na lezíria?

Será a alegria das gentes que assistem e vibram com a chega de bois?

Será a emoção das ceifeiras enquanto entoam as cantigas que animam a colheita do trigo?

Serão os sonhos que inundam a esperança e a ambição daquele que olha para o mar e vê novos mundos?

A verdade é que a alma portuguesa é isto tudo e o que mais quisermos, a alma portuguesa está cheia de sentimentos que engrandeceram a nossa história, que nos tornaram um povo único que é capaz das “tripas fazer coração”.

Mas esta alma precisa de ser alimentada, precisa de ser iluminada e precisa de ser orientada por quem sabe fazê-lo como ninguém, por quem cresceu e aprendeu o sentir português, por quem representa este sentir tão próprio e que é só nosso.

Quanto tempo teremos que esperar mais para abrir de forma séria a discussão sobre o que os portugueses pretendem para o seu país? Quanto tempo teremos que esperar mais para eliminarmos a norma menos democrática da nossa lei fundamental e para iniciarmos o debate que verdadeiramente se impõe?

República ou Monarquia?