A importância dos genes

Nos meus tempos de estudante do liceu quando falávamos do que gostávamos em termos de disciplinas fazia-se a pergunta clássica Gostas de ciências ou de letras? como se estas áreas fossem incompatíveis e sem qualquer relação entre elas.

Aliás, muitos iam para letras para fugir da matemática e ninguém compreendia porque tinha que estudar filosofia na área de ciências.

A verdade é que não há compartimentos estanques, ou seja, não é possível viver com apenas uma destas áreas. De facto, o que acontece é que os níveis de profundidade com que lidamos com os temas variam, mas acabamos sempre a recordar-nos que o professor que dizia que a vida nos ia demonstrar a importância de tudo tinha razão.

No entanto, como é que esta introdução liga com o título deste post? A história começa com uma entrevista a uma autora alemã de um livro que foi lançado em Portugal e que me despertou a atenção. A autora é Jennifer Teege e o livro tem o título Amon – o meu avô podia ter-me matado.

Li a entrevista, comprei o livro e li-o. Não vos vou contar a história do livro até porque a entrevista é bastante esclarecedora, mas vale a pena ler o livro e pensar na importância dos genes e na influência que eles poderão ter em nós ou não.

Foram os genes e a genética que me inspiraram para estudar Bioquímica (ciências), mas a história e a genealogia (letras), que também me interessam, têm os genes como um dos seus protagonistas.

Ou seja, ciências e letras unidas pelos genes.

O livro que acima refiro é autobiográfico e a autora debate-se com a existência de uma culpa ou vergonha por “carregar” na sua herança genética os genes de uma personagem hedionda e responsável por ter cometido crimes inqualificáveis.

O outro lado desta moeda pode ser visto, por exemplo, nas palavras que o 12.º Marquês de Fronteira, D. Fernando Mascarenhas, dirigiu ao seu sobrinho e sucessor no livro Sermão ao meu Sucessor – Notas para uma Ética da Sobrevivência.

Neste livro, o autor utiliza a herança genética como uma das forças para se prosseguir um bom trabalho e desempenhar um papel relevante na sociedade. Esta ideia fica patente em “O verdadeiro aristocrata tem consciência de que tem uma história atrás de si e é essa própria consciência da história que tem atrás de si que o faz ter uma consciência igualmente clara de que também tem uma história à sua frente.”

Perante estes dois cenários que importância devemos dar à nossa herança genética? As sábias palavras de D. Fernando Mascarenhas ao seu sucessor também diziam “Sê primeiro um homem e, depois, só depois, mas logo depois, um aristocrata. Pensa primeiro pela tua cabeça. Se tiveres dúvidas pensa no que teriam pensado os teus avós. Mas mesmo quando sentires que o deves fazer, não esqueças nunca que o momento em que estás a pensar é outro momento, é um momento diferente daquele em que o teu pai, o teu bisavô ou a tua décima avó, pensaram.”

De facto, não teremos todos nós na ascendência familiar personagens de boa e má memória? Certamente que sim, pelo que em primeiro lugar somos indivíduos únicos, com caraterísticas únicas, mas que não devem ignorar a sua herança genética e histórica.

Devemos orgulharmo-nos dos excelentes exemplos que nos antecederam para saber honrá-los e dignificá-los e devemos “corrigir” os maus exemplos, com a consciência que estes nos lembram o que não se deve fazer ou ser.

Com efeito, os genes sendo importantes, são uma parte do indivíduo, não fazem o indivíduo.

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24 de dezembro de 1779

24 de dezembro de 1779

Foi neste dia que D. Maria I fundou a Academia Real das Ciências, precursora da Academia das Ciências de Lisboa.

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Esta academia foi fundada em pleno Iluminismo, tendo como fundadores o seu primeiro presidente e mentor,  João Carlos de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva, 2.º duque de Lafões, e o primeiro secretário, Abade Correia da Serra, que eram fortes opositores do marquês de Pombal.

A criação desta instituição inseriu-se numa corrente antipombalina, tendo sido criadas duas classes, uma de ciências e outra de letras.

Personalidade nascida neste dia

No dia 24 de dezembro de 1953 nasceu o advogado e político português, José Duarte de Almeida Ribeiro e Castro.

Ribeiro e Castro é filho do 56.º presidente da Câmara Municipal de Lisboa e 120.º governador-geral de Angola, Fernando Augusto Santos e Castro.

A sua atividade política como militante do CDS inclui a criação da Juventude Centrista e da Fundação dos Trabalhadores Democratas Cristãos. Foi deputado eleito em 1976, 1980, 1999 e 2009. Participou nos governos de Francisco Sá Carneiro e Francisco Pinto Balsemão como Secretário de Estado Adjunto de Diogo Freitas do Amaral e nos três governos de Aníbal Cavaco Silva, como adjunto do Ministro da Educação, Roberto Carneiro. Foi ainda deputado no Parlamento Europeu.

No dia 14 de julho de 2010 foi agraciado como Grande-Oficial da Ordem de Bernardo O’Higgins do Chile e em 6 de dezembro do mesmo ano como Grande-Oficial da Ordem do Mérito do Luxemburgo.

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26 de novembro de 1989

26 de novembro de 1989

Neste dia Agustina Bessa-Luis e Isabel Magalhães são admitidas como sócias efetivas da Academia das Ciências de Lisboa.

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Deste modo, tornam-se nas primeiras mulheres a serem admitidas nesta instituição fundada a 24 de dezembro de 1779 como Academia Real das Ciências.

A sua fundação acontece em pleno movimento cultural e intelectual designado de Iluminismo no reinado de D. Maria I de Portugal e D. Pedro III.

Atualmente, a função desta instituição é, além de ser o órgão consultivo do governo em matéria linguística, incentivar a investigação científica, estimular o estudo da língua e literatura portuguesas e o estudo da história portuguesa e das relações com outros países.

Personalidade nascida neste dia

No dia 26 de novembro de 1748 nasceu Margarida Delfina Teles da Silva na cidade de Lisboa.

Era filha do 6.º conde de Vilar Maior e da 6.ª condessa de Tarouca. Casou no dia 12 de novembro de 1775 com o 1.º marquês de Borba, com o qual teve quatro filhos, entre os quais o 2.º marquês de Borba e o 1.º conde do Barreiro.

Tinha nove anos quando se deu o grande terramoto de 1755 e nesse dia, quando o palácio dos seus pais foi evacuado, Margarida ficou para trás tendo sido encontrada mais tarde por um criado com os bentinhos de Nossa Senhora na mão no meio dos escombros.

Foi uma mulher muito caridosa, religiosa e extremamente culta, fluente na escrita do latim e no inglês, alemão e italiano falados e escritos. Também sabia um pouco de grego.

Correspondeu-se com as figuras mais ilustres da Igreja da sua época, escrevendo inclusivamente uma carta ao Papa Pio VII que era um testemunho eloquente do seu amor à Igreja.

Todos os seus escritos eram para ser publicados, mas Margarida Delfina Teles da Silva, que odiava a exaltação e os louvores à sua pessoa, destruiu-os.

Morreu a rezar e a praticar a caridade, como sempre tinha vivido, ficando conhecida pelos seus descendentes como a Avó Santa.

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