A página das soluções

Não sei se acontece o mesmo com toda a gente, mas sinto um fascínio semelhante pelo passado e pelo futuro, não conseguindo definir o que me atrai mais. 

Na verdade, um bom filme ou livro de ficção científica são tão satisfatórios como um romance histórico ou uma obra que versa sobre um povo ou época passados. 

Mas hoje vamos falar do futuro, vamos falar daquilo que podemos esperar para as próximas décadas ou séculos e para isso precisamos de ouvir quem tem a autoridade intelectual para fazê-lo.

Para tal sugiro ouvirmos Stephen Hawking que, naquele que eu considero o seu grande legado para o cidadão comum, o livro Brief Answers to the Big Questions (em português Breves Respostas às Grandes Perguntas), deixa-nos a sua visão do futuro e a resposta (possível) a algumas questões que angustiam a Humanidade desde sempre. 

Este livro é mais uma demonstração da imensa inteligência daquele que foi provavelmente a mente mais brilhante da era moderna apesar das enormes dificuldades físicas que teve que enfrentar, mas soube sempre superar. E a sua inteligência está demonstrada, quer na capacidade para dar respostas a perguntas muito difíceis, quer na simplicidade com que o faz permitindo a qualquer um de nós ler e perceber. 

São dez as perguntas formuladas, para as quais tomo a liberdade de fazer uma tradução livre:

  1. Será que existe um Deus?
  2. Como é que tudo começou? 
  3. Existe mais vida inteligente no universo? 
  4. É possível prever o futuro? 
  5. O que está dentro de um buraco negro? 
  6. É possível viajar no tempo? 
  7. A espécie humana sobreviverá na Terra? 
  8. Devemos colonizar o espaço? 
  9. A inteligência artificial ficará mais inteligente que a Humanidade? 
  10. Como é que poderemos moldar o futuro? 

Não quero estragar o prazer da leitura deste livro fazendo um resumo das respostas, mas quero partilhar algumas mensagens que “recebi” ao viajar pelas páginas desta obra. 

A primeira mensagem, e talvez a mais importante, é a da unidade da espécie humana quando se observa o planeta Terra “de fora”, do espaço. Esta é uma sensação muito diferente daquela que temos enquanto habitantes deste planeta, dado que todos os dias somos confrontados com as divisões que a espécie humana criou, sejam elas culturais, sociais, raciais, religiosas ou outras. Será que ainda vamos perceber a tempo que somos apenas uma espécie que deve conviver unida e com o objetivo de garantir a sua sobrevivência na Terra em harmonia? 

A segunda mensagem está relacionada com a sua data de nascimento, 8 de janeiro de 1942, que ocorre exatamente 300 anos depois da morte de Galileu Galilei (8 de janeiro de 1642). Ora, para muitos este facto era visto não como uma coincidência, mas como um sinal de algo. O espírito científico de Stephen Hawking “destrói” rapidamente qualquer misticismo da sua data de nascimento ao referir que naquele mesmo dia nasceram cerca de 200 000 novos habitantes do planeta Terra, ou seja, ele não era especial por isso. 

A terceira mensagem, que me diz muito, está relacionada com a importância que os professores têm na nossa vida e no nosso crescimento. De facto, Stephen Hawking refere que os professores são importantes pelo conhecimento técnico que nos transmitem, mas também pela forma como nos transmitem esse conhecimento e como partilham com os seus alunos o conhecimento da vida.

A última mensagem que recebi da leitura deste livro também pode, de alguma forma, ser encontrada no livro Sapiens – a brief history of Humankind (em português, Sapiens – história breve da Humanidade) de Yuval Noah Harari. Com efeito, ambos os autores partilham da ideia que a evolução postulada por Charles Darwin da sobrevivência do mais apto/adaptado é hoje uma evolução desenhada pelo Homem, que é necessariamente mais responsabilizante para a Humanidade. Será que estamos “à altura” de receber essa responsabilidade?

São estas as quatro mensagens que destaco da leitura deste livro, mas que não retiram a curiosidade a todos aqueles que ainda não o leram.

Termino referindo que o título deste artigo refere-se ao facto de Stephen Hawking estar neste momento a consultar a “página das soluções” depois de ter procurado resolver alguns dos problemas da Humanidade neste seu último livro. 

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Viajar no tempo

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O Homem desde que tomou consciência da sua existência e das suas capacidades procurou fazer aquilo que a Natureza muitas vezes lhe vedava, por exemplo voar ou explorar o fundo dos oceanos.

A verdade é que acabou por encontrar diferentes formas de voar e de explorar o fundo dos oceanos, parecendo que não existiam desafios inultrapassáveis.

Contudo, há um desejo do Homem que permanece por satisfazer: viajar no tempo, ser capaz de ir ao passado e espreitar o futuro. Mas será que este desafio é inultrapassável ou já é possível viajar no tempo, mesmo que de forma aproximada. A verdade é que o Homem consegue voar, mas não tem asas; consegue nadar, mas não tem a capacidade natural de respirar debaixo de água, ou seja, superou os desafios recorrendo à tecnologia, à ciência, à sua capacidade inventiva e, naturalmente, à sua coragem.

Mas voltemos às viagens no tempo que pululam no nosso imaginário e fazem parte de incontáveis obras literárias que nos fizeram sonhar. Como podemos nós viajar no tempo?

As viagens no tempo pressupõem poder regressar ao passado ou visitar o futuro, mas não podemos esquecer que, embora o futuro exerça um fascínio muito grande, mantém-se muito a ideia que o passado é apenas uma memória romântica, mas atrasada e que não importa aprofundar. Não são raras as vezes que se ouve “isso era antigamente” ou “os tempos mudaram”, por exemplo. Estas são expressões que menorizam o passado ao contrário do futuro que está sempre associado ao progresso e à evolução.

Mas…e as viagens no tempo? Como é que as fazemos?

A réplica de um barco antigo a navegar em direção ao horizonte lembrou-me a ousadia, a coragem, o pioneirismo do povo português quando se lançou em direção ao desconhecido. No momento em que vi o barco parecia que se tinha aberto uma “janela do tempo” e tinha regressado o povo que, contra tudo e contra todos, conquistou meio mundo deixando marcas culturais indeléveis como nenhum outro povo colonizador e que ainda hoje se veem e visitam nas sete partidas do planeta azul.

Ao ver aquele barco e ao imaginar a “janela do tempo” pensei que tinha regressado aquele que foi e é potencialmente o melhor povo do mundo para trazer de novo, mas em moldes diferentes, a grandeza lusa.

Ao ver aquele barco percebi que viajar no tempo não precisa da resolução de equações complicadas nem de mecanismos elaborados com materiais que ainda não existem. Para viajar no tempo basta trazer para o presente aquilo que o passado nos ensinou para construirmos o futuro.

É assim que, sem máquinas e sem arriscar a nossa vida, podemos viajar no passado e preparar o futuro. Para isto basta eliminar a ideia que o passado é atrasado e retrógrado e o futuro é progresso e evolução.

Temos que trazer para o presente a energia que no passado iluminou os faróis e facilitou a navegação para cruzarmos novamente os mares em direção ao futuro.

Um ano da história de Portugal

A história de Portugal é de tal forma rica que seria possível todos os dias do ano comemorar alguma efeméride.

Sem a presunção de conseguir encontrar os 365 factos históricos mais relevantes, procurarei durante o próximo ano encontrar um acontecimento importante para cada dia e relatá-lo de forma muito simplificada com o intuito de apenas assinalá-lo. A colaboração de todos aqueles que tropeçarem nestes textos e quiserem sugerir algum evento será muito bem vinda.

Chamo a atenção que não quero substituir-me aos livros de história, nem tão pouco procurar interpretá-la, porque os meus conhecimentos não o permitem. Pretendo apenas evidenciar a grandeza deste povo que, com uma história quase milenar, esquece-se dos seus feitos, das suas qualidades e das suas características.

O ponto de partida será o 5 de outubro e, como devem imaginar, não para relembrar um crime hediondo contra a Pátria, mas para recordar que nesse dia do ano de 1143 D. Afonso Henriques é reconhecido como rei de Portugal através do Tratado de Zamora.

Será esta a estação de partida de uma viagem que terminará no dia 4 de outubro de 2016 e que espero que seja agradável para todos aqueles que decidirem viajar nestas carruagens.

Conhecer o passado é preparar o futuro!