António de Cabedo

Um grande poeta esquecido

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A cidade de Setúbal viu nascer António de Cabedo por volta de 1530 na ilustre família dos Cabedos. Era um dos cinco filhos de Jorge de Cabedo e Teresa Pinheiro.

Foi bisneto de Diogo de Cabedo, filho de um morgado das Astúrias e o primeiro com este apelido em Portugal, que serviu o Infante D. Pedro, 1.º Duque de Coimbra, na sua viagem pela Europa. Mais tarde esteve ao serviço do Infante D. Fernando, 2.º Duque de Viseu e pai do rei D. Manuel I, que viveu em Setúbal.

Foi nesta cidade que Diogo de Cabedo fixou residência, casou com Brites Eanes Mousinho (Brites Ana Mouzinho, de acordo com Fernando Falcão Machado) e deste modo começou a história dos Cabedos de Setúbal.

António de Cabedo foi um poeta novilatino, cuja obra não é muito conhecida uma vez que morreu muito cedo, com cerca de 25 anos, estimando-se que a sua morte terá acontecido entre os anos de 1554 e 1557. Além de ter morrido muito cedo, acresce ainda o facto de ter sido confundido com o filho homónimo do seu irmão, Miguel de Cabedo.

Refira-se ainda que este seu irmão e o seu primo Diogo Mendes de Vasconcelos, foram também poetas novilatinos, além de juristas muito conceituados.

A sua mãe era irmã de D. Gonçalo Pinheiro, que foi bispo de Viseu, de Sanfim e de Tânger, além de embaixador de Portugal na corte francesa de D. Francisco I.

Este tio foi o grande responsável pela sua educação, tendo enviado António de Cabedo para o colégio da Guiena em Bordéus onde estudou Artes durante três anos. Durante este período ficou alojado na casa do Mestre João da Costa. Estudou ainda em Paris e na Universidade de Coimbra, tendo obtido o grau de bacharel em Cânones no dia 18 de julho de 1554.

Na capital francesa viveu no Colégio de Santa Bárbara, na casa do Mestre Sebastião Rodrigues, tendo também morado durante algum tempo em casa de um bedel da Faculdade de Cânones, onde teve por companheiro D. Lopo de Almeida.

Regressou a Portugal no final de junho de 1548 com o seu tio D. Gonçalo Pinheiro e os seus primos Miguel e Diogo.

Nesse mesmo ano António de Cabedo ficou a viver em Coimbra e a estudar Direito Canónico.

Em simultâneo com os estudos seguiu a carreira eclesástica e no ano de 1550 já era prior da Igreja do Salvador da Trofa. Refira-se que esta ligação à Trofa (Trofa do Vouga, ou seja, perto de Águeda) deveu-se muito provavelmente à influência do cunhado João Gomes de Lemos, senhor da Trofa, casado com a sua irmã, Leonor Pinheiro.

No dia 18 de julho de 1554 fez o exame para bacharel em Cânones na presença do Senhor Doutor Martim de Azpilcueta.

As referências em documentos a António de Cabedo terminam aqui, levando a supor que não terá vivido muito mais tempo.

De facto, se for considerado que no dia 11 de junho de 1557 morreu o rei D. João III e que não há registos de qualquer epitáfio deste poeta à morte do monarca, pode deduzir-se que António de Cabedo já teria morrido.

Os seus restos mortais estarão na sepultura dos Cabedos em Santa Maria da Graça de Setúbal.

O seu sobrinho, Gonçalo Mendes de Vasconcelos, filho de Miguel de Cabedo e Leonor Pinheiro de Vasconcelos, foi o responsável pela publicação da sua obra literária na edição de 1597 do De antiquitatibus Lusitaniae de André de Resende, reimpressa no volume I do Corpus illustrium poetarum latinorum qui latine scripserunt, obra editada em 1745 por António dos Reis e Manuel Monteiro.

A sua obra consagrou-o como um dos muitos humanistas que em latim escreveram sobre os grandes feitos dos portugueses durante os descobrimentos, sendo considerado um dos elementos mais importantes da intelectualidade do reinado de D. João III.

A sua obra foi amplamente elogiada por Barbosa Machado e pelo padre Manuel Monteiro no século XVIII.

O estudo da sua poesia dá a antever que António de Cabedo era provavelmente um jovem melancólico, com uma vida muito triste, quem sabe por causa de alguma doença grave.

Os seus poemas não escondem as suas origens nobres, defendendo, por exemplo, a permanência dos portugueses em África, em detrimento da presença no Brasil e no Oriente, se assim fosse necessário. Aliás, mais tarde é Luís de Camões que no episódio do Velho do Restelo defende a mesma ideia.

No mesmo sentido constata-se que a poesia de António de Cabedo, tal como a Luís de Camões mais tarde, consagra na história de Portugal essencialmente os feitos guerreiros como a expulsão dos godos e dos mouros e a conquista das Índias e das praças africanas.

Muito terá contribuído também para a poesia de António de Cabedo e de outros poetas humanistas o contexto histórico em que viviam, caracterizado pelos receios da perda da soberania portuguesa e pelo fracasso dos resultados da estratégia portuguesa em África.

Com efeito, os estudos efetuados à poesia de António de Cabedo consubstanciam-no como um representante central das especificidades do humanismo português (humanista e conquistador), influência que vamos encontrar duas décadas mais tarde na poesia de Luís de Camões.

Não é assim exagero considerar que António de Cabedo antecipou a poesia daquele que ainda hoje é considerado o expoente mais alto da poesia portuguesa.

Na sua obra consta, por exemplo, o poema intitulado Fontellum que retrata o encantamento que sentiu aquando da sua passagem pelo Fontelo em Viseu antes da vinda do seu tio, D. Gonçalo Pinheiro,  como bispo daquela cidade.

A sua visita ao Fontelo aconteceu muito provavelmente no ano de 1553, tendo o poema sido escrito durante os meses de agosto e setembro desse ano. O seu tio, D. Gonçalo Pinheiro, foi o responsável pela recuperação da casa e do parque do Fontelo aquando do exercício do seu bispado na cidade de Viriato.

Na sua obra encontram-se também referências à morte do príncipe D. João de Portugal no dia 2 de janeiro de 1554, aos soldados portugueses mortos em Ceuta ou à peste que ocorreu na região do Vouga.

Veja-se por exemplo Epicedium in milites ad Septam occisos, que relata a morte de trezentos e sete soldados portugueses em Ceuta no dia 18 de abril de 1553, entre os quais D. António de Noronha, filho de Francisco de Noronha, este último seu companheiro de viagem e do tio D. Gonçalo Pinheiro no regresso a Portugal em 1548.

Como já foi referido, as suas origens nobres com a vertente conquistadora de África levaram-no a incluir na sua obra também o abandono de D. João III de algumas praças africanas.

O poeta António de Cabedo teve uma amizade muito forte com Inácio de Morais, outro poeta novilatino nascido em Bragança no início do século XVI.

Este seu amigo, mestre em Artes com estudos feitos em Paris e Lovaina, também tirou o curso de Leis na Universidade de Coimbra paralelamente aos estudos de António de Cabedo em Cânones.

Terá sido nesta universidade que se encontraram e iniciaram a sua amizade, que está patente nas poesias que dedicaram um ao outro.

É assim que sabemos que António de Cabedo considerava Inácio de Morais uma pessoa bondosa e altruísta.

Relativamente aos poemas de Inácio de Morais dedicados a António de Cabedo, conhecem-se duas composições escritas aquando da morte deste último. As composições em causa são Antonii Cabedii celeberrimi poetae, Ignatii Moralis elegiaEiusdem tumulus.

Nestas composições Inácio de Morais qualifica o seu amigo António de Cabedo como uma pessoa muito moderada, pura e simples, com extrema dedicação aos estudos e com uma veia poética assinalável.

O poeta Inácio de Morais lamentou profundamente a morte prematura do seu amigo, que lhe “roubou” a fama que lhe estava reservada.

No epitáfio que lhe dirigiu retratou com grande rigor quem era António de Cabedo: homem de origem nobre, afável e honesto.

Referências bibliográficas

Affonso, Domingos de Araujo e Valdez, Rui Dique Travassos (1934). Livro de Oiro da Nobreza, Tomo III: 614

Couto, Aires Pereira do (1992). António de Cabedo – poeta novilatino. MÁTHESIS, Volume I: 193-219

Couto, Aires Pereira do (1994). O Poema Fontellum de António de Cabedo. HVMANITAS, Volume XLVI: 333-349

Couto, Aires Pereira do (1996). Inácio de Morais e António de Cabedo: uma amizade prematuramente interrompida pela parca. MÁTHESISVolume V: 265-276

Machado, Fernando Falcão (1953). Os Cabedos de Setúbal. Separata dos n.os 24/25 do Boletim da Junta de Província da Estremadura

Tannus, Carlos António Kalil (1988). Um poeta latino do século XVI: António de Cabedo. Tese de doutoramento em Língua e Literatura Latina, Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Tannus, Carlos António Kalil (1992). António de Cabedo: A cara e a coroa. HVMANITAS, Volumes XLIII-XLIV: 439-447

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Miguel de Cabedo

Homem de leis e poeta

A cidade de Setúbal viu nascer muitos portugueses ilustres, tendo sido já destacado  neste blogue o poeta novilatino António de Cabedo.

Um desses portugueses ilustres foi Miguel de Cabedo, irmão do poeta atrás referido, que nasceu na cidade do Sado em 1525 e faleceu em Lisboa em abril de 1577.

Tal como o irmão António, em 1538, chamado pelo seu tio D. Gonçalo Pinheiro, foi estudar para França para o Colégio da Guiena em Bordéus, onde esteve dois anos. Entre 1540 e Maio de 1542 estudou na Universidade de Toulouse. Em 1542 regressou a Portugal e frequentou a Universidade de Coimbra. Voltou a França em 1545, onde estudou Direito Canónico na Universidade de Paris e se licenciou em Direito Civil na Universidade de Orléans em 1548.

Regressou a Portugal ainda nesse ano e entrou na magistratura. Fez o doutoramento em Leis em 1559 na Universidade de Coimbra.

Desempenhou o cargo de desembargador da Casa da Suplicação (tribunal supremo do reino de Portugal) a partir de março de 1565 e a partir de julho de 1575, o de desembargador dos Agravos.

Em 1571 foi um dos membros da alçada enviada por D. Sebastião a Entre Douro e Minho e à Beira.

No seu percurso ao serviço do reino de Portugal foi ainda nomeado por D. Sebastião como membro de um triunvirato instituído para o governo económico da cidade de Lisboa.

Tal como o seu irmão, António de Cabedo, Miguel de Cabedo produziu obra poética novilatina, publicada pelo seu filho Gonçalo Mendes de Vasconcelos que lhe juntou uma Vita do pai no final da edição de 1597 do livro De antiquitatibus, de André de Resende.

Os seus versos, com um resumo da Vita e algumas cartas foram reimpressos no volume I do Corpus íllustrium poetarum lusitanorum qui latine scripserunt…, editado em 1745 por António dos Reis e Manuel Monteiro.

Diz Barbosa Machado na sua Biblioteca Lusitana, Coimbra. Atlântida Editora, 1965-1967, voI. III. p. 468 a respeito de Miguel de Cabedo:

Foy insigne Poeta latino admirando-se nos seus versos a elegância, suavidade e cadência dos primeiros corifeos desta divina Arte. 

Miguel de Cabedo, tal como o seu irmão António, foi um poeta humanista de grande qualidade, autor de poemas como In nuptias Serenissimorum Principum Ioannis et Ioannae, relativo ao casamento dos príncipes João e Joana, ou In partum Ioannae Serenissimae Lusitaniae Principis, relacionado com o nascimento de D. Sebastião.

Referências bibliográficas

Couto, Aires Pereira do (1992). António de Cabedo – poeta novilatino. MÁTHESIS, Volume I: 193-219

Tannus, Carlos António Kalil (2007). Um olhar sobre a Literatura Novilatina em Portugal. Calíope – Presença Clássica, 13-31

9 de janeiro de 1154

9 de janeiro de 1154

Neste dia o rei D. Afonso Henriques encarregou os trinta cavaleiros vilãos que ajudaram a conquistar Sintra aos mouros de governarem este território e protegerem-no das investidas árabes.

Foi assim atribuída carta de foral a Sintra, que se encontra abaixo reproduzida em latim medieval.

É de destacar que, fazendo jus à sua qualidade de homem de estado, D. Afonso Henriques atribuiu um conjunto de regras, leis e privilégios que contribuíram em muito para a solidificação do tecido social e económico deste território.

FORAL DE SINTRA

1. In nomine patris et filii et spiritus sancti amen. Placuit mihi alfonso portugalensis Regi comitis henrici et regina tarasie filio magnis quoque regis aldefonso nepoti et uxori mee Regine Mahalde Comitis amedeu filie vobis qui in sintrie habitatis maioribus sive minoribus cujuscum que ordinis sitis kartam facere firmitudinis vobis et filiis vestris atque progenis de jure estabelitate atque servicio.

2. In primis damus vobis XXX casales cum suis hereditatibus in ulixbona XXX populat oribus qui in presenti illud castellum populatis ut habeatis illos tam vos quam filii vestri hereditario jure et non faciatis de illis ali quod forum in ulixbona nisi in vestro castello. Si vero placuerit vobis mitere homines in ilis casalibus nullum forum faciant nisi vobis dominis casallium et si habueritis vel emeritis hereditatem in aliqua terra Regis habeatis illam per forum sintrie.

3. Hec igitur sunt qui pertinent ad vestrum forum. Nunquam itaque faciatis nobis senaram.

4. Pro homicidio rausso et estercure in hore positio Xem morabitinos harum rerum opertor tribuat medium Regi medium domini intencionis.

5. Et sifecerit homicidium per occasionem qui bonios homines ilum videant / vel pectet que si impos uerint et rausum vel / pectet nisi per exquiricionem bonorum hominum.

6. Qui domum ali cujus disruper it LXª solidos pectet medium regi medium domini intencionis.

7. Si disruptor aliis duobus aut plus se comitantibus fecerit sim autem minus vel (sic) et in nulla calupnia recipiantur illi qui castellum judica verint.

8. Siquis alicui vulnera lancia gladio aut cutello intulerit V morabitinos pectet medium regi medium domini intencionis.

9. Qui arma in oppido insane extraserit perdat illa et si lix sub fideijussoribus comissa fuerit per forum sintrie non sedeat de helmo nec de lorica ni si de escuto et de porrina.

10. Et non veniat ibi homo de aliqua terra et qualis dederit ipso recado tale dent illi allio pro igualia sit cautum illius aut fiadoria I solidum si fuerit juncta aut distributa et non sedeat prova facta nec infiada si non plus de morabitino et pro morabitino nichil.

11. De allis percussionibus factis manu calce petra et palo et aliis intencionibus nulla sit calupnia excepto supraditis.

12. Agricole pedites qui uno bove laboraverit I sestarium inter triticum et secundam cibariam tribuat si duobus aut quam pluribus laboraverit Im quartarium inter triticum et secundam cibariam dent per alqueire de azougui.

13. Et Im puzal vini a V quinalibus et supra de alio labore nichil.

14. Homo qui cum boves labora verit non faciat alium forum de alia ganantia qui ganaverit.

15. Venator si cervum aut cervam hujusmo di venat um laqueis sive meteriis ceperit medium lumbi tribuat. De porco unam costam siquis inquisitor conelios fuerit semel in anno tres conelios cum suas pelles tribuat siquis inquisitor mellis fuerit semel in anno I medium alqueire ipsius mellis tribuet.

16. Zapateiro I solidum faber ferret I cavallum mercator sive pelitario I solidum.

17. Ceguu qui fuerit sabido de sua muliere bona per exquiricione de bonos homines pectet I morabitinum.

18. Homo manio qui non habuerit filios quando morierit dent suum habere ad suos parentes et pro sua anima.

19. Si furtum super aliquem inventum fuerit dominus peccunie in duplum accipiat peccuniam et Regio principi septem partes.

20. Si homo vel mulier occiderit suum corpus nichil pectet sed accipiant suum habere parentes ejus.

21. Si aliquis ibi comorancium ab uno anno vendat suam hereditatem ad suum vicinum.

22. Homo qui non habuerit boves et cum alienos de aliqua terra laboraverit in sua hereditate faciat forum sui vicini.

23. Mercator sintrie non det portadigo in tota terra Regis si aliquis vendiderit aut emerit.

24. Si fuerit cum mandato de concilio vel de rancura ad Regem habet suam racionem in curiam regis.

25. Milites semel in anno in regis exercitu militent pro sua ganancia et non accipiat Rege de illos nichil Et si noluerint vel non potuerint in fossado ambulare nichil pectet et in appelido contra chritianos tantum exeant ut eadem die ad domum redire possint contra paganos autem prout melius potuerint.

26. Siquis habere potuerint subditos in castello vel extra municionibus in sua hereditate domum habitantes non faciant forum nisi ad dominum hereditatis.

27. Militum siquis obierit et uxorem reliquierit quamdiu fuerit vidua stet in honore militis.

28. Et similes perdiderit equm stet honoratus usque ad annos V post si non potuerit aut noluerit habere equum faciat morem peditis.

29. Peditum autem siquis habere potuerit equm stet in honore militum.

30. Filii militum aut peditum quamdiu in hereditate patris se potuerint continere mortuo aut vivente patre unus pro omnibus unum forum faciant.

31. Siquis cum hominibus aliis in locis habitantibus intencionem habuerit et in concilio directum petierit et non impetraverit et pignus acceperit quamvis postea ab intencionam convictus sit pignus absque duplo redat.

32. Siquis habuerit intencionem vel concilium taliaverit cum homines de fora det directum juxta aquas currentes de suo castello judices qui intencionem judicaverint sedeant per medium.

33. Siquis ad concilium venire neglexerit ad faciendum directum de hoc quod sibi objecerint saiom eat ad pignorandum et pignus accipiat sed nunquam domum sigillet.

34. Si judicem vel saiom pro sua intencione et non pro intencione principis percussus aut vulneratus fuerit sit tanta calumpnia illius quanto de alio aliquo si judicem percussus fuerit principis II solidos pectet pro saiom I solidum pro intencionem Regis.

35. Judicem et saiom sit ex naturalibus et intret et exeat per manum concilii et nunquam judicem neque saiom de alia terra super vos veniat.

36. Judicem accipiat sua decima de tota calumpnia partem principis saiom accipiat aliam decimam de parte judicis.

37. Homo qui inprimar et alium percusserit accipiat Xcem barancadas et ponat dexteram manum in terra et postea faciat directum ad illum qui percusserit per suum forum.

38. Milites si viderint inimicos Regis paganos vel christianos qui male volunt facere veniant cum mandato in ulixbona et plus longe non et pro alia intencione non faciant alium mandatum neque pedites neque milites.

39. Milites aut pedites qui in aliena terra ambulaverint sint cautati et non ponant in ilis manum pro male facere pro nulla intencionem et si jam illum prendiderint aut dequm suum in terra jactaverit C solidos pectent et postea quantum demandaverint tantum in duplum componant aut si aliquis illi male fecerint sive de habere quomodo de alia intencione tota in duplo componat.

40. Homo qui fuerit firidore et non se inde voluerit emendare usque tres vices per manum Concilli aut cusculator fuerit et non se voluerit emendare per forum sintrie domum suum destructum sit.

41. Per forum sintrie sex homines debent jurare pro homicidio pro aliquod quoque juramento tres homines et nunquam plus nisi pro homicidio.

42. Milites sintrie castello debent testimoniare cum omnes milites terre Regis exceptis Regem pedites similiter.

43. Milites sintrie qui bene serviverint suum alcaide recipiant de illo I donum bonum semel in anno.

44. Homo qui voluerit acciperit (sic) mulierem per mandatum de suos parents det ei in dote sua Iª fustam et I zapatas et Iª cintam et Iª pelle et Iº manto et Lª solidos in fiadoria pro benedicione sed si potea penituerit quanto dederit tantum perdat et ipsam fiadoriam pectet. Et si mulier penituerit aut noluerit aut parentes ejus quantum de eo acceperit sed postea suam fiadoriam.

45. Homicida et refuga qui ibi confugerint retineantur servus similiter exceptis si fuerit de rege.

46. Clerici habeant more militum. Clericus sit naturalis et pro forum sintrie non perdat suam ecclesiam sed habeat illam pro hereditate nis i feceri talia facinora pro quibus debet et amit tere ordines pro nullo homine neque per regem neque per episcopum.

47. Sed nos moratores supradicti castelli pro isto bono foro quod nobis rex noster et uxor ejus dant promittimus illis fidelle sempre obsequium et contra homines eorum inimicos ponamus corporae habere

48. Et si tempus venerit quod illas ravaldes sintrie Rex voluerit populare singulos casales cum suis hereditatibus accipiant illi qui castelum moraverint.

49. Clericus sintrie debent servire suo episcopo et habeat racionem in domum episcopi. Episcopus de ad illum semel in anno I donum bonum.

50. Era Mª Cª LXª IIª Vª idus januarii.

51. Ego alfonsus gratia dei rex Portugalensis simul cum uxore mea Regina mahalda roboro + et confir ++ mo + istam kartam. Et siquis venerit vel venerimus qui hoc factum irrumpere voluerit pariat quingentos aureos et cum belzebub sit excomunicatus.

52. Sint autem termini ejus terra pro laborare et pro plantare sedeat Almesquez aquas discurrentes et ad outeiros et quomodo dividat per viam publicam qui vadit sub caprillis usque ad montem aquas vertentes ad outeiros et quomodo dividat per chilaios usque ad flumen galamar et si plus crescerent gentes crescant ad illos hereditatem per placere Regis.

53. Dapifer Curie fernandus captivus test. Pelagius zapata consalvus de saussa Petrus fernandiz donnus valascus gunsalvus rodriguiz menendus monis laurencius venegas sancius muniz Egeas archidiacunus eclesie ulixbon. Confirmo hoc factum signifer petrus pelagii princeps ulixb. Alfonsus menendi conf. Princeps colimbrie rodrigus pelagii, princeps santaranensis Johanes Ramiriz conf. Magister albertus notarius regis scripsit. – Alfonsus Rex Portugalensis – Regina Mahalda – Magister Albertus.

Personalidade nascida neste dia

No dia 9 de janeiro de 1753 nasceu Luisa Rosa de Aguiar, mais conhecida por Luisa Todi e que é considerada a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos.

Tinha a capacidade invulgar de cantar com toda a perfeição em francês, inglês, italiano e alemão.

Foi a protagonista de uma carreira internacional que durou mais de 20 anos, iniciada em Londres no ano de 1777 e terminada em Nápoles em 1799.

Durante estas duas décadas passou por França, Itália, Áustria, Alemanha, Rússia e Espanha.

Morreu no dia 1 de outubro de 1833, tendo sido enterrada num cemitério que hoje já não existe e, como tal, desconhece-se o paradeiro das suas ossadas.

LuisaTodi