A hora mais negra

Há cerca de meio ano escrevi neste blogue sobre o filme Churchill que relatava os dias que antecederam o Dia D na Segunda Grande Guerra e o papel extraordinário que o primeiro-ministro inglês teve.

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Considero que Winston Churchill é provavelmente a personalidade mais importante do século XX pelo seu papel fundamental na vitória dos Aliados na guerra de 1939-1945.

Dei nota que nesse filme, com uma interpretação magistral de Brian Cox, foi mostrado também o lado humano e frágil de Churchill.

Vi agora “A hora mais negra”, que é sobre outro momento determinante na Segunda Grande Guerra: a retirada das tropas britânicas de Dunquerque e a decisão do Reino Unido não negociar a paz com a Alemanha e ripostar.

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Mais uma vez no centro de toda a ação um Winston Churchill frágil e muito humano na intimidade, mas que nos momentos decisivos respondeu sempre como grande estadista que foi.

Em ambos os filmes existe um momento em que o rei aconselha o primeiro-ministro de forma decisiva, mostrando todo o seu sentido de chefe de estado e colocando o povo britânico como protagonista, sábio e capaz de orientar as tomadas de decisão de quem os governa.

São dois excelentes exemplos de como um monarca, próximo do seu povo, exerce a sua magistratura de influência no poder executivo, condicionando positivamente o curso da história.

Para ver e rever…

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19 de julho de 1717

19 de julho de 1717

Neste dia travou-se no mar Mediterrâneo no extremo sul da Grécia uma batalha naval entre uma armada de aliados cristãos e a armada do Império Otomano, que ficou conhecida como a Batalha de Matapão.

A armada cristã era constituída por forças de Portugal, da república de Veneza, da Ordem de Malta e dos Estados Pontifícios com 22 naus, 21 fragatas e 9 galés em contraponto com a armada otomana de 34 naus, 1 fragata e 24 galés.

A componente portuguesa dos aliados cristãos era comandada pelo almirante Lopo Furtado de Mendonça, o conde de Rio Grande. Tinha sete naus de guerra e quatro naves auxiliares, 526 canhões e 3480 homens.

O papel das forças portuguesas nesta batalha foi considerado um grande êxito diplomático para o rei D. João V projetando o reino português na Europa.

Refira-se que não terá sido alheia à participação portuguesa nesta batalha a eleição de D. António Manuel de Vilhena para grão-mestre da Ordem de Malta, papel que exerceu com grande distinção para ainda hoje ser considerado um dos mais importantes mestres desta ordem.

Personalidade nascida neste dia

No dia 19 de julho de 1885 nasceu Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches em Cabanas de Viriato.

Ficou conhecido por ter desafiado as ordens de António de Oliveira Salazar e, enquanto cônsul de Portugal em Bordéus, concedeu milhares de vistos de entrada em Portugal durante três dias e três noites a refugiados que queriam fugir de França em 1940 durante a ocupação Nazi.

A sua carreira diplomática é caraterizada por diversas situações que sempre o colocaram em posições menos ortodoxas e merecedoras de repreensão, além das constantes dificuldades financeiras em que vivia.

A sua desobediência às ordens de Salazar valeram-lhe um processo disciplinar que culminou com um ano de inatividade e direito a metade do seu salário habitual, seguido de aposentação.

Teve um final de vida muito atribulado, com muitas dificuldades financeiras, querelas familiares e acaba por morrer praticamente só no Hospital da Ordem Terceira na companhia de uam sobrinha.

O reconhecimento do seu valor aconteceu muito tarde, apesar de ter concedido vistos a pessoas como Otto de Habsburgo, filho de Carlos I, o último imperador austro-húngaro ou a Salvador Dali e sua mulher.

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O pôr-do-sol do “Grande Leão”

Churchill é um grande filme com uma fotografia fantástica e com uma interpretação magistral de Brian Cox.

Pessoalmente considero Winston Churchill a personalidade mais carismática do século XX  e este filme faz jus à grandeza do homem que foi um dos grandes responsáveis pela derrota de Adolf Hitler na II Grande Guerra. O filme tem a grande virtude de mostrar as fraquezas desta personalidade, mas humanizando-a sem enfraquecê-la.

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Evidencia com grande clareza a inteligência, a tenacidade, a sagacidade, a perspicácia, mas também a sua teimosia, a sua irracionalidade e, não menos importante, a sua humildade quando se deixa influenciar pela opinião de outros.

É particularmente importante e inspirador o diálogo com o rei, que o convence a não participar no desembarque do Dia D ao demonstrar-lhe que muitas vezes a decisão mais corajosa é ficar para trás e, deste modo, dar seguimento a uma missão que mais ninguém poderia fazer melhor do que ele.

Outro momento marcante do filme é o discurso à nação após o desembarque na Normandia, no qual toda a sua força, garra e determinação são elementos presentes em cada uma das palavras e na entoação que lhes dá. É um discurso unificador e demonstrador de um enorme gratidão pela coragem de todos aqueles que sacrificaram o seu bem maior, a vida, por uma Europa livre.

É impossível não fazer uma referência à fotografia do filme, que está repleto de imagens de grande beleza que mostram dois aspetos fundamentais. Um deles é a grandeza do homem Winston Churchill, mas mais importante é a sensação que deixa em quem vê o filme da dimensão insignificante que o Homem tem face à grandeza do planeta e das obras que foi construindo.

Este filme mostra, no meu entendimento, o pôr-do-sol da vida daquele que é por muitos considerado o maior britânico da história. Este pôr-do-sol, tal como o que acontece na Natureza, é um momento de rara beleza e que em nada belisca a vida vivida por Churchill sempre caraterizada por uma grande coragem e determinação.