D. Duarte não precisa de protocolo – resposta a Ascenso Luís Simões

Quando procurei o nome para o meu blogue confesso que não saiu à primeira e, mesmo com toda a ponderação, pode não ser muito apelativo. Contudo, representa bem uma faceta importante de mim e confirmo que sou um Monárquico inconformado.

Sou inconformado com a situação de um País e de um Povo que potencialmente poderia ser muito maior do que é e do que já foi.

Por esta razão, tendo sido confrontado com a opinião do deputado Ascenso Luís Simões à petição para a inclusão do Senhor D. Duarte no Protocolo do Estado, não poderia deixar de reagir.

Embora o referido deputado dê, como o Povo sabiamente diz, “uma no cravo, outra na ferradura”, a verdade é que o seu texto é um belo exemplo do trabalho de esclarecimento e sensibilização que é preciso fazer na sociedade portuguesa para desmistificar um conjunto de preconceitos relativos à monarquia e que continuam a grassar por aí e a encher as bocas de alegados entendidos na matéria.

Começando pelo início, refere Ascenso Luís Simões, “Portugal é uma república, não vive com problemas profundos de identidade…”. Ora, esta é uma daquelas situações em que o Povo, também sabiamente, refere que “uma mentira dita muitas vezes transforma-se numa verdade”. Todos nós conhecemos a história deste grandioso País e sabemos que a opção pela república nunca foi verdadeiramente confirmada por só quem pode fazê-lo: os Portugueses. Todos sabemos que a república está impunemente sentada num crime covarde contra alguém que nunca virou as costas ao seu Povo e nunca quis proteção porque o lugar de um rei é junto de quem o legitima para representar e chefiar uma nação.

Ninguém fica indiferente quando se refere que este ou aquele presidente da república se comporta como um rei, querendo esta expressão dizer que está próximo dos seus, que sente as dores daqueles que o aclamam. Ora, este tipo de pensamento não é mais do que um reconhecimento implícito que o modelo a seguir é o da monarquia.

Mas, não nos detenhamos apenas nestes aspetos e continuemos a análise da opinião do deputado Ascenso Luís Simões.

Diz o deputado que D. Duarte é visita assídua das comunidades locais. Com efeito, este é o reconhecimento de que o legítimo herdeiro ao trono de Portugal continua a exercer a sua função, apesar de destituído da mesma. Recordaria a este propósito um excelente trabalho que a revista Sábado fez há uns meses entrevistando um conjunto de “senadores” portugueses sobre o futuro de Portugal. Foi opinião unânime que Portugal deveria recuperar a ligação cultural e histórica junto daqueles que constituíram a história lusa além mares. Esta é uma missão que o Senhor D. Duarte faz com grande competência, empenho, sentimento e responsabilidade, ao contrário da república que apenas se preocupa com as vantagens económicas e toma decisões desenquadradas de uma história que não pode ser apagada nem esquecida. Nunca é demais relembrar Timor, esquecido pela república e recuperado para a paz e fim da opressão pelo Senhor D. Duarte.

Diz ainda o senhor deputado que a petição sofre de falta de juízo. Não querendo retribuir o cumprimento a Ascenso Luís Simões, quero apenas dizer-lhe que coloca em causa um conjunto significativo de personalidades da sociedade portuguesa, bem como um enorme conjunto de cidadãos, no qual me incluo, que de forma muito ajuizada entendem que a petição faz todo o sentido. Aliás, atrevo-me a dizer que a república é que sofre de “falta de juízo” por não reconhecer por si a importância protocolar do Senhor D. Duarte.

No seguimento do seu texto, Ascenso Luís Simões revela alguns acertos, designadamente quando refere que a causa monárquica precisa de encontrar uma linha de afirmação nacional e as formas de se aproximar dos portugueses. Mas logo a seguir estraga “o pano” com uma enorme nódoa ao referir “as mixórdias das reais associações” ou os “jantares dos conjurados”. Começando pelo fim, foi a coragem dos conjurados que deu a independência e a liberdade a Portugal e também a república deveria prestar-lhes uma homenagem, uma vez que homens daquela têmpera é que fizeram este País.

Quanto ao epíteto dado às reais associações, apenas posso dizer que é a opinião de um republicano muito mal informado e, como tal, não faz jurisprudência.

A referência que os monárquicos preferem viver do passado também revela um enorme desconhecimento, embora compreensível. De facto, um republicano quando olha para o passado da república não vê nada de bom, ou seja, desde 1910 são muito poucos os factos e motivos para recordar. Aliás, quaisquer 100 anos da monarquia portuguesa são melhores do que os últimos 100 anos da república. Não é difícil assumir que a primeira e segunda repúblicas foram verdadeiramente desastrosas para Portugal e esta terceira república o que tem de bom foi alimentado por uma enorme quantidade de dinheiro, mas que representa uma efetiva perda de soberania. Quanto ao passado que os monárquicos recordam, serve essencialmente para perceber as razões e as qualidades de um Povo que sendo pequeno foi enorme, que sendo poucos foi muitos espalhados pelas Sete Partidas.

Em resumo, decifrar o passado serve para deslindar o futuro e mesmo um passado republicano, como é o do último século, deveria ser para perceber tudo o que não fazer novamente.

Finalmente falemos de limpezas como refere o deputado Ascenso Luís Simões. Sobre este aspeto recordaria as sábias palavras de Jesus Cristo que são ensinamentos para crentes e não crentes: “…aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra…”.

O senhor deputado sabe muito bem por onde devem começar as limpezas e não é certamente pelas companhias do Senhor D. Duarte e do seu filho, D. Afonso. A este propósito recordo-lhe as palavras de Eça de Queiroz, que certamente não precisa que transcreva neste texto.

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1 de junho de 1879

1 de junho de 1879

Neste dia iniciou funções o primeiro governo progressista presidido por Anselmo José Braamcamp, que foi presidente do conselho de ministros até 25 de março de 1881 naquele que foi o 37.º governo da Monarquia Constitucional.

O Partido Progressista, por oposição ao Partido Regenerador com quem alternava no poder no rotativismo da monarquia constitucional dos finais do século XIX, defendia a realização de reformas na Carta Constitucional como o fim do caráter hereditário da câmara dos pares ou o alargamento do sufrágio, admitindo a representação de minorias.

Personalidade nascida neste dia

Nasceu no dia 1 de junho de 1930 uma das mais célebres gastrónomas portuguesas, Maria de Lourdes Modesto.

Iniciou a sua carreira televisiva na RTP com um programa de índole cultural, mas foi o seu pioneirismo nos programas de cozinha, nos quais confecionava os seus pratos em direto que lhe granjeou toda a fama.

É autora de muitos livros de cozinha como o muito famoso e campeão de vendas Cozinha Tradicional Portuguesa.

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O reconhecimento das suas qualidades foi expresso por José Quitério e pelo New York Times, por exemplo.

O escritor e jornalista Miguel Esteves Cardoso apelidou-a de um dos três grandes génios nascidos em Portugal no século XX.

No dia 9 de junho de 2004 recebeu a Comenda da Ordem do Mérito.

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7 de maio de 1834

7 de maio de 1834

Neste dia foi extinta a Casa dos Vinte e Quatro criada em Lisboa por D. João, futuro rei de Portugal, no dia 16 de dezembro de 1383.

Esta casa foi extinta com a chegada do liberalismo e da monarquia constitucional em Portugal.

Refira-se que esta estrutura, inicialmente criada apenas em Lisboa, mas mais tarde alargada a outras cidades de Portugal e do império, era composta por representantes das corporações de ofícios e era um órgão com poder deliberativo.

Personalidade nascida neste dia

No dia 7 de maio de 1928 nasceu na capital de Portugal o fadista D. Vicente Maria do Carmo de Noronha da Câmara.

Nascido dentro de uma familia aristocrata, teve uma educação muito ligada ao fado, com destaque da sua tia, D. Maria Teresa de Noronha.

Apesar das suas origens aristocráticas, considera que o fado é uma música pobre e que na pobreza reside a riqueza, a grandeza, a liberdade e o valor.

A sua ideia sobre a aristocracia ficou vincada na seguinte frase:

O que é a aristocracia? A aristocracia tanto pode estar no povo como noutra coisa qualquer. (…) O aristocrata é aquele que sobressaiu.

Além da medalha de mérito municipal da Câmara Municipal do Cartaxo atribuída em 2013, recebeu no dia 27 de novembro do mesmo ano a comenda da Ordem do Infante D. Henrique.

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25 de dezembro de 1820

25 de dezembro de 1820

Neste dia terminam as primeiras eleições em Portugal de deputados às cortes constituintes.

Este acontecimento, juntamente com a aprovação da Constituição de 1822, marcam o início da Monarquia Constitucional que, mantinha o poder real responsável pela defesa da soberania nacional, da representação política plena e da separação e independência dos poderes legislativo, executivo e judicial.

O Rei era o “Chefe de Estado”, nomeando o Presidente do Conselho de Ministros para chefe do governo. O poder legislativo pertencia às Cortes. O rei tinha o poder moderador, se bem que também de “direção formal de todos os negócios do Reino”, como se pode verificar nos discursos proferidos na abertura das Cortes em cada legislatura – “o discurso do trono”. Tinha ainda o poder da sancionar as leis aprovadas pelas cortes e o poder de veto.

Personalidade nascida neste dia

No dia de Natal do ano de 1920 nasceu em Lisboa o ator, jornalista, radialista e escritor, Artur Fernandes Agostinho.

Artur Agostinho começou por ser conhecido pelos seus relatos dos jogos de futebol aos microfones da Emissora Nacional de Radiodifusão.

Participou em diversos filmes como O Leão da Estrela (1947), Capas Negras (1947) ou O Tarzan do 5.º Esquerdo (1958), por exemplo.

Apresentou diversos programas de televisão e participou em diversas séries e telenovelas.

Foi agraciado com a comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada no dia 28 de dezembro de 2010.

Morreu no dia 22 de março de 2011.

arturagostinho