A hora mais negra

Há cerca de meio ano escrevi neste blogue sobre o filme Churchill que relatava os dias que antecederam o Dia D na Segunda Grande Guerra e o papel extraordinário que o primeiro-ministro inglês teve.

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Considero que Winston Churchill é provavelmente a personalidade mais importante do século XX pelo seu papel fundamental na vitória dos Aliados na guerra de 1939-1945.

Dei nota que nesse filme, com uma interpretação magistral de Brian Cox, foi mostrado também o lado humano e frágil de Churchill.

Vi agora “A hora mais negra”, que é sobre outro momento determinante na Segunda Grande Guerra: a retirada das tropas britânicas de Dunquerque e a decisão do Reino Unido não negociar a paz com a Alemanha e ripostar.

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Mais uma vez no centro de toda a ação um Winston Churchill frágil e muito humano na intimidade, mas que nos momentos decisivos respondeu sempre como grande estadista que foi.

Em ambos os filmes existe um momento em que o rei aconselha o primeiro-ministro de forma decisiva, mostrando todo o seu sentido de chefe de estado e colocando o povo britânico como protagonista, sábio e capaz de orientar as tomadas de decisão de quem os governa.

São dois excelentes exemplos de como um monarca, próximo do seu povo, exerce a sua magistratura de influência no poder executivo, condicionando positivamente o curso da história.

Para ver e rever…

20 de agosto de 1890

20 de agosto de 1890

Neste dia foi assinado em Londres mais um Tratado Luso-Britânico em consequência do ultimato feito por Inglaterra.

Foram assim delimitados os limites territoriais portugueses de Angola e Moçambique e, de acordo com muitos autores, infligida mais uma humilhação a Portugal por Inglaterra.

Personalidade nascida neste dia

No dia 20 de agosto de 1858 nasceu em Montemor-o-Velho a atriz Esther Amélia da Costa Coutinho da Silva Carvalho.

Notabilizou-se na arte cénica em Portugal e no Brasil, tendo-se radicado neste último país onde morreu no dia 15 de janeiro de 1884.

A sua terra natal homenageou-a com a atribuição do nome Teatro Esther Carvalho ao teatro desta sede de concelho.

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18 de agosto de 1502

18 de agosto de 1502

Neste dia o navegador galego, João da Nova, ao serviço do rei de Portugal, D. Manuel I, descobriu uma ilha a que deu nome da santa do dia, Santa Helena.

Esta ilha teve como primeiro habitante permanente o português Fernão Lopes que lá viveu isolado entre 1515 e 1545, com um pequeno interregno para uma visita à Europa depois de 10 anos.

A ilha, que nunca foi colonizada por Portugal, acabou por ser ocupada pela marinha britânica no século XIX. Também é famosa porque acolheu Napoleão Bonaparte no exílio até à sua morte.

Personalidade nascida neste dia

No dia 18 de agosto de 1828 nasceu Eduardo de Serpa Pimentel.

Foi bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo exercido as funções de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.

Foi também governador civil de Vila Real, Par do Reino e Vice-presidente da Câmara Alta do Conselho de Sua Majestade.

Morreu na cidade invicta no dia 24 de abril de 1917.

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17 de agosto de 1808

17 de agosto de 1808

Neste dia travou-se o combate da Roliça entre as forças anglo-lusas e as forças francesas.

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Este combate deu-se durante a primeira invasão francesa de Portugal e foi acima de tudo uma confirmação para os britânicos que era possível vencer os franceses apesar da hegemonia que Napoleão e as suas forças espalhava pela Europa.

Personalidade nascida neste dia

No dia 17 de agosto de 1906 nasceu em Lisboa o último presidente do Conselho do Estado Novo, Marcello José das Neves Alves Caetano.

Além de político foi um ilustre jurisconsulto e professor de direito, tendo conseguido a cátedra de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa em 1939.

Academicamente é considerado o fundador em Portugal do Direito Administrativo moderno.

Foi um apoiante dos ideais monárquicos católicos ligados ao Integralismo Lusitano, tendo rompido com esta via em 1929 e deu o seu apoio à ditadura militar e por conseguinte ao regime totalitário de António de Oliveira Salazar.

A impossibilidade de Salazar manter a condução do país determinou que o presidente da república Américo Thomaz o tenha designado em 27 de setembro de 1968 como presidente do Conselho de Ministros de Portugal, função que exerceu até 25 de abril de 1974.

A revolução dos cravos determinou o seu exílio no Brasil, tendo morrido na cidade maravilhosa no dia 26 de outubro de 1980.

A sua previsão para o futuro de Portugal ficou registada nestas palavras proferidas depois da revolução de abril:

Sem o Ultramar estamos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade das nações ricas, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava em vésperas de se transformar numa pequena Suíça, a revolução foi o princípio do fim. Restam-nos o Sol, o Turismo, a pobreza crónica, a emigração em massa e as divisas da emigração, mas só enquanto durarem.

As matérias-primas vamos agora adquiri-las às potências que delas se apossaram, ao preço que os lautos vendedores houverem por bem fixar. Tal é o preço por que os Portugueses terão de pagar as suas ilusões de liberdade.

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O pôr-do-sol do “Grande Leão”

Churchill é um grande filme com uma fotografia fantástica e com uma interpretação magistral de Brian Cox.

Pessoalmente considero Winston Churchill a personalidade mais carismática do século XX  e este filme faz jus à grandeza do homem que foi um dos grandes responsáveis pela derrota de Adolf Hitler na II Grande Guerra. O filme tem a grande virtude de mostrar as fraquezas desta personalidade, mas humanizando-a sem enfraquecê-la.

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Evidencia com grande clareza a inteligência, a tenacidade, a sagacidade, a perspicácia, mas também a sua teimosia, a sua irracionalidade e, não menos importante, a sua humildade quando se deixa influenciar pela opinião de outros.

É particularmente importante e inspirador o diálogo com o rei, que o convence a não participar no desembarque do Dia D ao demonstrar-lhe que muitas vezes a decisão mais corajosa é ficar para trás e, deste modo, dar seguimento a uma missão que mais ninguém poderia fazer melhor do que ele.

Outro momento marcante do filme é o discurso à nação após o desembarque na Normandia, no qual toda a sua força, garra e determinação são elementos presentes em cada uma das palavras e na entoação que lhes dá. É um discurso unificador e demonstrador de um enorme gratidão pela coragem de todos aqueles que sacrificaram o seu bem maior, a vida, por uma Europa livre.

É impossível não fazer uma referência à fotografia do filme, que está repleto de imagens de grande beleza que mostram dois aspetos fundamentais. Um deles é a grandeza do homem Winston Churchill, mas mais importante é a sensação que deixa em quem vê o filme da dimensão insignificante que o Homem tem face à grandeza do planeta e das obras que foi construindo.

Este filme mostra, no meu entendimento, o pôr-do-sol da vida daquele que é por muitos considerado o maior britânico da história. Este pôr-do-sol, tal como o que acontece na Natureza, é um momento de rara beleza e que em nada belisca a vida vivida por Churchill sempre caraterizada por uma grande coragem e determinação.

16 de junho de 1373

16 de junho de 1373

Nesta data foi assinado em Londres um tratado entre os reis de Portugal, D. Fernando, e de Inglaterra, Eduardo III, que veio a confirmar o Tratado de Tagilde.

Este último, assinado em 10 de julho de 1372, foi o primeiro fundamento jurídico da Aliança Luso-Britânica que ainda hoje perdura como a mais antiga relação diplomática entre dois países ainda em vigor.

Personalidade nascida neste dia

No dia 16 de junho de 1792 nasceu Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, militar, engenheiro, poeta, cientista e político português.

Entre as muitas funções que exerceu destacam-se a de ministro do Reino, provedor da Casa da Moeda e governador da Madeira.

Foi um destacado apoiante da causa liberal, atitude que lhe valeu o exílio em França, no Brasil e nos Açores.

Foi também membro da Academia Real das Ciências de Lisboa e publicou em 1824 o Curso Elementar de Física e Química, que foi o primeiro do género em Portugal.

Nas suas ações militares foi aliado de Sá da Bandeira e do Conde do Lavradio na Patuleia.

Ficou gravemente ferido na batalha de Torres Vedras e acabou por morrer no dia 27 de dezembro de 1846. Está enterrado na igreja de S.Pedro de Torres Vedras.

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13 de junho de 1373

13 de junho de 1373

Neste dia foi assinada a mais antiga aliança diplomática ainda em vigor entre os reinos de Portugal e Inglaterra.

 

Apesar de muitos críticos considerarem que esta aliança era muito desvantajosa para o reino lusitano, a verdade é que Portugal beneficiou em momentos muito críticos da sua história como foram as invasões francesas.

Por outro lado, Portugal também ajudou a Inglaterra, por exemplo durante a Pirmeira Grande Guerra.

Personalidade nascida neste dia

No dia 13 de junho de 1888 nasceu um dos maiores poetas portugueses, Fernando António Nogueira Pessoa.

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Além de poeta, era escritor, astrólogo, crítico e tradutor. Beneficiou da sua educação na África do Sul para dominar a língua inglesa e ser considerado internacionalmente como um dos melhores escritores da sua época.

A sua obra poética é dominada pelos seus heterónimos (Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Bernardo Soares) que, de acordo com o poeta americano Robert Hass, representava a invenção de poetas inteiros por parte de Fernando Pessoa ao contrário de outros modernistas que apenas inventavam máscaras para falar ocasionalmente.

De tudo o que escreveu é consensual destacar-se as obras O Livro do Desassossego Mensagem.

Morreu no dia 30 de novembro de 1935 de cirrose hepática ou de pancreatite aguda, deixando uma arca com mais de 25 000 páginas manuscritas.

Escreveu na língua inglesa a sua última frase no dia anterior à sua morte:

I know not what tomorrow will bring

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11 de junho de 1891

11 de junho de 1891

Neste dia foi assinado na cidade de Londres mais um tratado luso-britânico com o objetivo de regulamentar a delimitação das esferas de influência em África.

Personalidade nascida neste dia

No dia 11 de junho de 1704 nasceu o compositor e organista português, José António Carlos de Seixas.

Nascido em Coimbra, partiu aos 16 anos para Lisboa e as suas qualidades valeram-lhe a nomeação de organista da Sé Patriarcal e da Capela Real.

Apesar das influências italianas e francesas, desenvolveu um estilo muito próprio, não deixando que a sua obra se confundisse com os compositores contenporâneos estrangeiros.

As suas obras estão guardadas na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, na Biblioteca Nacional de Lisboa e na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda.

Morreu em Lisboa no dia 25 de agosto de 1742 com apenas 38 anos.

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5 de junho de 1973

5 de junho de 1973

Neste dia o príncipe Filipe de Inglaterra, rei consorte britânico, chegou a Lisboa para representar a rainha de Inglaterra, Isabel II, nas comemorações do 600.º aniversário da Aliança Luso-Inglesa.

Personalidade nascida neste dia

No dia 5 de junho de 1917 nasceu José Baptista Pinheiro de Azevedo, oficial da Marinha e político português.

Foi primeiro-ministro de Portugal do VI Governo Provisório durante o seu empenhamento na democratização do país durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC).

Foi ainda candidato a presidente da república em 1976, obtendo 14% dos votos na eleição que conduziu o General Ramalho Eanes ao lugar cimeiro da hierarquia portuguesa.

Era conhecido por ser o Almirante sem medo.

Morreu em Lisboa no dia 10 de agosto de 1983.

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30 de maio de 1879

30 de maio de 1879

Neste dia o 36.º governo da Monarquia Constitucional assinou o chamado Tratado de Lourenço Marques através do qual se permitia a presença da marinha britânica em águas territoriais moçambicanas.

Este acordo foi fortemente contestado e ajudou à queda deste governo.

Refira-se ainda que a razão desta cedência portuguesa estava relacionada com a construção da linha férrea entre Lourenço Marques, hoje Maputo, ao Traansval e à necessidade de garantir que as tribos zulus não prejudicavam a conclusão deste projeto.

Personalidade nascida neste dia

No dia 30 de maio de 1674 nasceu D. António Caetano de Sousa, escritor, bibliógrafo e genealogista português.

Pertenceu ao grupo dos primeiros 50 membros que fundaram a Academia Real de História Portuguesa.

Entre as muitas obras que são da sua autoria é de destacar a Historia Genealógica da Casa Real Portuguesa. Esta obra, publicada entre 1735 e 1749, é composta por 13 volumes de texto com mais de 14 000 páginas e 6 volumes de provas documentais com cerca de 4500 páginas.

D. António Caetano de Sousa morreu no dia 5 de julho de 1759 deixando um elevado número de manuscritos por publicar.

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