Miguel de Cabedo

Homem de leis e poeta

A cidade de Setúbal viu nascer muitos portugueses ilustres, tendo sido já destacado  neste blogue o poeta novilatino António de Cabedo.

Um desses portugueses ilustres foi Miguel de Cabedo, irmão do poeta atrás referido, que nasceu na cidade do Sado em 1525 e faleceu em Lisboa em abril de 1577.

Tal como o irmão António, em 1538, chamado pelo seu tio D. Gonçalo Pinheiro, foi estudar para França para o Colégio da Guiena em Bordéus, onde esteve dois anos. Entre 1540 e Maio de 1542 estudou na Universidade de Toulouse. Em 1542 regressou a Portugal e frequentou a Universidade de Coimbra. Voltou a França em 1545, onde estudou Direito Canónico na Universidade de Paris e se licenciou em Direito Civil na Universidade de Orléans em 1548.

Regressou a Portugal ainda nesse ano e entrou na magistratura. Fez o doutoramento em Leis em 1559 na Universidade de Coimbra.

Desempenhou o cargo de desembargador da Casa da Suplicação (tribunal supremo do reino de Portugal) a partir de março de 1565 e a partir de julho de 1575, o de desembargador dos Agravos.

Em 1571 foi um dos membros da alçada enviada por D. Sebastião a Entre Douro e Minho e à Beira.

No seu percurso ao serviço do reino de Portugal foi ainda nomeado por D. Sebastião como membro de um triunvirato instituído para o governo económico da cidade de Lisboa.

Tal como o seu irmão, António de Cabedo, Miguel de Cabedo produziu obra poética novilatina, publicada pelo seu filho Gonçalo Mendes de Vasconcelos que lhe juntou uma Vita do pai no final da edição de 1597 do livro De antiquitatibus, de André de Resende.

Os seus versos, com um resumo da Vita e algumas cartas foram reimpressos no volume I do Corpus íllustrium poetarum lusitanorum qui latine scripserunt…, editado em 1745 por António dos Reis e Manuel Monteiro.

Diz Barbosa Machado na sua Biblioteca Lusitana, Coimbra. Atlântida Editora, 1965-1967, voI. III. p. 468 a respeito de Miguel de Cabedo:

Foy insigne Poeta latino admirando-se nos seus versos a elegância, suavidade e cadência dos primeiros corifeos desta divina Arte. 

Miguel de Cabedo, tal como o seu irmão António, foi um poeta humanista de grande qualidade, autor de poemas como In nuptias Serenissimorum Principum Ioannis et Ioannae, relativo ao casamento dos príncipes João e Joana, ou In partum Ioannae Serenissimae Lusitaniae Principis, relacionado com o nascimento de D. Sebastião.

Referências bibliográficas

Couto, Aires Pereira do (1992). António de Cabedo – poeta novilatino. MÁTHESIS, Volume I: 193-219

Tannus, Carlos António Kalil (2007). Um olhar sobre a Literatura Novilatina em Portugal. Calíope – Presença Clássica, 13-31

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2 de dezembro de 1640

2 de dezembro de 1640

No seguimento da restauração da independência de Portugal no dia 1 de dezembro, Santarém foi a primeira cidade a aclamar D. João IV como rei de Portugal.

Esta ação foi liderada por Fernão Teles de Meneses, conde de Unhão, descendente de Vasco da Gama, e marcou a história de Santarém na segunda metade do século XVII, tendo este período da história local ficado conhecido pelo “século do conde de Unhão”.

Personalidade nascida neste dia

No dia 2 de dezembro de 1798 nasceu em pleno Oceano Atlântico nas imediações de Cabo Verde no navio Santa Cruz, António Luís de Seabra e Sousa, 1.º visconde de Seabra.

Foi um jurisconsulto e magistrado português, além de ministro de estado, reitor da Universidade de Coimbra, juiz da Relação do Porto, deputado, Par do Reino, juiz do Supremo Tribunal de Justiça e um político ímpar da monarquia constitucional portuguesa.

Na sua atividade legislativa destaca-se o facto de ser um dos principais autores do projeto do primeiro Código Civil português no período entre 1850 e 1865. Este Código Civil foi aprovado por carta de lei de 1 de julho de 1867 e entrou em vigor no dia 22 de março de 1868, permanecendo até 1967, apesar das diferentes alterações sofridas. Era frequentemente designado por Código Seabra.

O seu título nobiliárquico de visconde de Seabra foi-lhe atribuído pelo rei D. Luís I através de um decreto de 25 de abril de 1865. Foi ainda comendador da Ordem de Torre e Espada e da Ordem de Cristo, grã-cruz da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro, de Itália, e comendador da Imperial Ordem da Rosa, do Brasil. Terá ainda recusado a grã-cruz de Sant’Iago da Espada com que terá sido agraciado em 20 de julho de 1860 por carta régia.

Morreu na Quinta de Santa Luzia em Mogofores no mês de fevereiro de 1895.

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