21 de agosto de 1808

21 de agosto de 1808

Neste dia foi travada a Batalha do Vimeiro no decurso da primeira invasão francesa.

Defrontaram-se as forças francesas, comandadas pelo famoso General Junot, e as forças anglo-lusas comandadas pelo Tenente-general Arthur Wellesley que saíram vitoriosas.

Esta vitória ditou o fim da primeira invasão francesa.

Personalidade nascida neste dia

No dia 21 de agosto de 1643 nasceu em Lisboa aquele que viria a ser o rei D. Afonso VI, que viria a receber o cognome de “O Vitorioso”.

Reinou entre 6 de novembro de 1656 e 12 de setembro de 1683, tendo sido aclamado a 15 de novembro de 1657.

Não estava destinado a reinar, mas as mortes do seu irmão, Teodósio de Bragança, e da sua irmã Joana determinaram que assumisse o trono de Portugal apesar da sua fraca preparação e dos problemas de saúde que teve em criança.

O seu reinado ficou marcado pelas diversas vitórias sobre Espanha na Guerra da Restauração.

Estas vitórias e outros pontos importantes do seu reinado não foram suficientes para evitar a sua destituição pelo irmão, D. Pedro II, que inclusivamente viria a casar com a sua mulher, a francesa Maria Francisca Isabel de Sabóia.

Morreu em Sinta no dia 12 de setembro de 1683.

Razões reais – parte XVI

Do governo da república pelo Rei

Ao longo destas “Razões reais” tentou-se desfazer alguns equívocos, sendo que uns eram mais óbvios que outros.

Quando pensamos nas palavras “república” e “monarquia” vemos dois lados da barricada. Mas será que é mesmo assim?

Se formos à etimologia da palavra república constatamos que quer dizer “coisa pública”, ou seja, não existe nenhum antagonismo com a monarquia.

Pode mesmo dizer-se que para a república ser perfeita só lhe falta o Rei como garante da imparcialidade, da independência e da continuidade histórica.

Lembremos-nos, por exemplo, de um livro escrito em 1496 por Diogo Lopes Rebelo, mestre do futuro rei D. Manuel I, que tem o título deste post: Do Governo da República pelo Rei.

Pode então dizer-se que antes de 1910 “Então a República portuguesa tinha um Rei e conhecia o apogeu da sua grandeza. Hoje Estado Republicano não é sinónimo de República. Falta-lhe o Rei.”

Razões reais – parte XV

Poder Real

Sendo claro que as monarquias modernas não preconizam um poder real executivo, mas antes a defesa da Nação e dos interesses do seu povo, é legítima a questão sobre que “poder real” é este.

O poder real é independente, supra-político e acima de tudo deixa ao poder executivo a definição e implementação das políticas de administração do Estado.

O chefe de Estado numa monarquia garante a separação entre o que é nacional e o que é político, numa ótica de proteção da Nação e do seu povo, garantindo a proteção das liberdades cívicas, das minorias e impondo ao governo o cumprimento estrito das normas constitucionais.

Em resumo, o Rei “Não governa, mas olha pelos Governos e, por isso, supremo intérprete do sentimento e do interesse da Nação…”.

Razões reais – parte XIII

Governo real

O conceito adotado pelo Integralismo que dizia que o rei governava, mas não administrava, não se aplica às monarquias modernas.

Parece assim legítimo perguntar que papel tem então o rei num país. Ora, a resposta a esta pergunta foi dada pelo Imperador Austro-húngaro Francisco José quando o presidente americano Theodore Roosevelt lhe fez esta pergunta. Sabiamente, o Imperador respondeu que o rei defende o seu povo dos respetivos governos.

Como disse o poeta “O Rei é a figura humana da Pátria”.

A doutrina monárquica elaborado pelo Dr. Mário Saraiva resume este papel em:

“Rei – personificação da Pátria,

Rei – procurador dos descaminhos do Reino,

Rei – defensor da Nação perante o Estado,

Eis-nos diante de três posições basilares que necessariamente marcam, orientam e definem a jurisdição ou magistratura real.

Razões reais – parte XII

Qual o programa monárquico?

O Dr. Mário Saraiva postula que há um grande equívoco que é preciso desfazer relativamente à existência de um programa monárquico.

Com efeito, recorda-nos que a monarquia confia a chefia de Estado a uma única figura, o Rei, sendo esse o seu princípio indiscutível.

Ora, o que à partida parece uma fragilidade do regime monárquico, é na verdade uma das suas forças já que atribui à nação a competência para fazer as suas escolhas em termos de regimes ou políticas governativas.

Não esqueçamos que apenas nas ditaduras os regimes se confundem com o chefe de estado, o que não é de todo o caso das monarquias constitucionais. Aliás, é um facto que nas monarquias europeias se têm efetuado as experiências mais inovadoras e disruptivas em termos sociais e económicos, geralmente com muito bons resultados.

Em resumo, não há um programa monárquico, ou seja, “O Rei ouve a Nação e, como seu fiel mais intérprete e primeiro servidor, guarda e defende a legitimidade constitucional.”

Razões reais – parte XI

O Rei – árbitro nacional

A posição de chefe de estado deve ser necessariamente de imparcialidade e com um foco único: o interesse do povo que se representa. De facto, seja um regime republicano ou monárquico, em todas as suas variantes a posição de chefe de estado tem a mesma função, ou seja, a representação do povo e dos seus interesses.

Por esta razão, é fundamental a capacidade de arbitrar sem condicionalismos externos como são os interesses políticos. Ora, todos nós percebemos que num regime republicano em que o chefe de estado é eleito com o apoio de forças partidárias esta capacidade de arbitrar de forma justa é muito mais difícil e improvável, ao invés dos regimes monárquicos, nos quais o rei é o chefe de estado reconhecido por todas as forças políticas e mesmo dos que não se reveem em nenhum partido político.

De facto, “A questão aqui não se põe entre melhor e pior; põe-se entre ter e não ter.”

2 de agosto de 1932

2 de agosto de 1932

Neste dia chegaram a Portugal os restos mortais do último rei de Portugal, D. Manuel II, falecido inesperadamente um mês antes de um edema da glote.

O funeral foi autorizado pelo governo português com honras de estado e jaz sepultado no Panteão dos Braganças no Mosteiro de São Vicente de Fora.

Personalidade nascida neste dia

No dia 2 de agosto de 1929 nasceu na cidade de Aveiro o cantor e compositor português José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido por Zeca Afonso.

O seu legado está essencialmente relacionado com as denominadas canções de intervenção e pela luta contra o Estado Novo.

As suas origens musicais estão relacionadas com o fado de Coimbra e ficou famosa a sua composição Grândola, Vila Morena, que foi utilizada como senha pelo Movimento das Forças Armadas na Revolução dos Cravos.

Morreu no dia 23 de fevereiro de 1987, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

A sua obra continua a ser cantada por inúmeros artistas.

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28 de julho de 1131

28 de julho de 1131

Neste dia foi fundado o Mosteiro de Santa Cruz na cidade de Coimbra, onde se encontram sepultados os dois primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e D. Sancho I.

A sua fundação foi concretizada pelo Arcediago D. Telo, D. João Peculiar e o primeiro santo português, S. Teotónio, que foi o primeiro Prior deste mosteiro.

Foi a mais importante casa monástica do reino, recebendo grandes privilégios e doações dos monarcas, e uma escola de grande qualidade, tendo ainda na Idade Média um estudante muito famoso, Fernando Martins de Bulhões, mais tarde Santo António de Lisboa.

Em agosto de 2003 foi-lhe reconhecido o estatuto de Panteão Nacional, partilhado com o Mosteiro dos Jerónimos, o Mosteiro da Batalha e a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa.

Personalidade nascida neste dia

No dia 28 de julho de 1853 nasceu em Cucujães aquele que é considerado o pai da química portuguesa, António Joaquim Ferreira da Silva.

Foi Conselheiro do rei, par do reino e o primeiro presidente da Sociedade Portuguesa de Química.

As suas qualidades foram reconhecidas com a atribuição da comenda da Ordem de S. Tiago e quando foi feito cavaleiro da Legião de Honra.

Hoje dá nome ao mais importante prémio da química em Portugal.

Morreu no dia 23 de agosto de 1923.

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25 de julho de 1139

25 de julho de 1139

Neste dia travou-se a Batalha de Ourique no atual Baixo Alentejo entre as forças portuguesas comandadas por D. Afonso Henriques e as forças muçulmanas em muito maior número e lideradas por Ali ibn Yusuf.

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Apesar de estarem em desvantagem numérica, as tropas de D. Afonso Henriques derrotaram o exército de almorávidas.

Esta vitória é o primeiro momento em que D. Afonso Henriques é aclamado como rei de Portugal, reconhecimento que lhe foi oficialmente feito no Tratado de Zamora a 5 de outubro de 1143.

Personalidade nascida neste dia

A data, bem como o local de nascimento, do nosso rei fundador, D. Afonso Henriques, permanece sem certezas.

Contudo, alguns autores defendem que o primeiro rei de Portugal terá nascido no dia 25 de julho de 1109, filho do Conde D. Henrique e de D. Teresa de Leão.

Após a morte do seu pai, D. Afonso Henriques encetou uma luta contra a sua mãe que se tinha aliado a nobres galegos, designadamente Fernão Peres de Trava.

O reconhecimento como rei de Portugal por parte do reino de Leão foi efetivado a 5 de outubro de 1143 no Tratado de Zamora e em 1179 pelo papa Alexandre III através da bula Manifestis Probatum.

Ficou conhecido pelo cognome de o Conquistador, tendo duplicado o território que herdara.

Morreu com 76 anos no dia 6 de dezembro de 1185 e jaz sepultado no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra.

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O pôr-do-sol do “Grande Leão”

Churchill é um grande filme com uma fotografia fantástica e com uma interpretação magistral de Brian Cox.

Pessoalmente considero Winston Churchill a personalidade mais carismática do século XX  e este filme faz jus à grandeza do homem que foi um dos grandes responsáveis pela derrota de Adolf Hitler na II Grande Guerra. O filme tem a grande virtude de mostrar as fraquezas desta personalidade, mas humanizando-a sem enfraquecê-la.

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Evidencia com grande clareza a inteligência, a tenacidade, a sagacidade, a perspicácia, mas também a sua teimosia, a sua irracionalidade e, não menos importante, a sua humildade quando se deixa influenciar pela opinião de outros.

É particularmente importante e inspirador o diálogo com o rei, que o convence a não participar no desembarque do Dia D ao demonstrar-lhe que muitas vezes a decisão mais corajosa é ficar para trás e, deste modo, dar seguimento a uma missão que mais ninguém poderia fazer melhor do que ele.

Outro momento marcante do filme é o discurso à nação após o desembarque na Normandia, no qual toda a sua força, garra e determinação são elementos presentes em cada uma das palavras e na entoação que lhes dá. É um discurso unificador e demonstrador de um enorme gratidão pela coragem de todos aqueles que sacrificaram o seu bem maior, a vida, por uma Europa livre.

É impossível não fazer uma referência à fotografia do filme, que está repleto de imagens de grande beleza que mostram dois aspetos fundamentais. Um deles é a grandeza do homem Winston Churchill, mas mais importante é a sensação que deixa em quem vê o filme da dimensão insignificante que o Homem tem face à grandeza do planeta e das obras que foi construindo.

Este filme mostra, no meu entendimento, o pôr-do-sol da vida daquele que é por muitos considerado o maior britânico da história. Este pôr-do-sol, tal como o que acontece na Natureza, é um momento de rara beleza e que em nada belisca a vida vivida por Churchill sempre caraterizada por uma grande coragem e determinação.