18 de agosto de 1502

18 de agosto de 1502

Neste dia o navegador galego, João da Nova, ao serviço do rei de Portugal, D. Manuel I, descobriu uma ilha a que deu nome da santa do dia, Santa Helena.

Esta ilha teve como primeiro habitante permanente o português Fernão Lopes que lá viveu isolado entre 1515 e 1545, com um pequeno interregno para uma visita à Europa depois de 10 anos.

A ilha, que nunca foi colonizada por Portugal, acabou por ser ocupada pela marinha britânica no século XIX. Também é famosa porque acolheu Napoleão Bonaparte no exílio até à sua morte.

Personalidade nascida neste dia

No dia 18 de agosto de 1828 nasceu Eduardo de Serpa Pimentel.

Foi bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo exercido as funções de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.

Foi também governador civil de Vila Real, Par do Reino e Vice-presidente da Câmara Alta do Conselho de Sua Majestade.

Morreu na cidade invicta no dia 24 de abril de 1917.

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17 de agosto de 1808

17 de agosto de 1808

Neste dia travou-se o combate da Roliça entre as forças anglo-lusas e as forças francesas.

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Este combate deu-se durante a primeira invasão francesa de Portugal e foi acima de tudo uma confirmação para os britânicos que era possível vencer os franceses apesar da hegemonia que Napoleão e as suas forças espalhava pela Europa.

Personalidade nascida neste dia

No dia 17 de agosto de 1906 nasceu em Lisboa o último presidente do Conselho do Estado Novo, Marcello José das Neves Alves Caetano.

Além de político foi um ilustre jurisconsulto e professor de direito, tendo conseguido a cátedra de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa em 1939.

Academicamente é considerado o fundador em Portugal do Direito Administrativo moderno.

Foi um apoiante dos ideais monárquicos católicos ligados ao Integralismo Lusitano, tendo rompido com esta via em 1929 e deu o seu apoio à ditadura militar e por conseguinte ao regime totalitário de António de Oliveira Salazar.

A impossibilidade de Salazar manter a condução do país determinou que o presidente da república Américo Thomaz o tenha designado em 27 de setembro de 1968 como presidente do Conselho de Ministros de Portugal, função que exerceu até 25 de abril de 1974.

A revolução dos cravos determinou o seu exílio no Brasil, tendo morrido na cidade maravilhosa no dia 26 de outubro de 1980.

A sua previsão para o futuro de Portugal ficou registada nestas palavras proferidas depois da revolução de abril:

Sem o Ultramar estamos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade das nações ricas, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava em vésperas de se transformar numa pequena Suíça, a revolução foi o princípio do fim. Restam-nos o Sol, o Turismo, a pobreza crónica, a emigração em massa e as divisas da emigração, mas só enquanto durarem.

As matérias-primas vamos agora adquiri-las às potências que delas se apossaram, ao preço que os lautos vendedores houverem por bem fixar. Tal é o preço por que os Portugueses terão de pagar as suas ilusões de liberdade.

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3 de julho de 1821

3 de julho de 1821

Depois da transferência da corte portuguesa para o Brasil para fugir das invasões napoleónicas, no dia 3 de julho de 1821 aconteceu o regresso a Lisboa depois de 13 anos naquele país.

Contudo, porque havia uma grande contestação ao afastamento da corte de Portugal durante este período, o regresso de D. João VI e respetivo séquito não teve o mesmo impacto junto da população comparativamente ao que tinha acontecido com a sua partida.

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Personalidade nascida neste dia

No dia 3 de julho de 1850 nasceu o compositor, poeta, pintor, arqueólogo e colecionador de arte, Alfredo Cristiano Keil.

Qualquer referência a esta personalidade tem que começar por mencionar que foi o compositor d’ A Portuguesa, atual hino nacional português e que surge depois do ultimato britânico em 1891.

A sua ascendência era alemã, de pai e mãe, tendo efetuado toda a sua educação básica na Alemanha, o que explica as influências do romantismo que ficaram patentes nas centenas de quadros que deixou.

Morreu na cidade alemã de Hamburgo no dia 4 de outubro de 1907.

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9 de fevereiro de 1808

9 de fevereiro de 1808

Neste dia foram fuzilados nove portugueses pelas tropas francesas alegadamente por terem causado desacatos (insultos e agressões a soldados franceses).

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Com efeito, durante as invasões napoleónicas Junot tinha advertido que reprimiria exemplarmente quaisquer atos de violência praticados contra os franceses.

Na sequência destes atos, quinze homens foram condenados à pena de morte, embora as tropas francesas só tenham conseguido prender dez. Contudo, um dos dez presos viu adiada a sua execução por ter uma perna fraturada, tendo acabado por conseguir fugir posteriormente.

Assim, Pedro José Pedrosa, escrivão da Câmara das Caldas da Rainha, e João de Proença, filho do Correio Mór (ambos jovens de vinte anos), Casimiro José Henriques, padeiro da vila Manuel Joaquim, Tenente do 2.º Regimento do Porto, bem como um Cadete, três Soldados e um Tambor perderam a vida na mão dos franceses.

Personalidade nascida neste dia

No dia 9 de fevereiro de 1909 nasceu em Marco de Canaveses a atriz e cantora Maria do Carmo Miranda da Cunha, mais conhecida por Carmen Miranda.

A sua família emigrou para o Brasil onde chegou com menos de um ano de idade.

A sua carreira artística na rádio, televisão, teatro de revista e cinema repartiu-se entre o Brasil e os Estados Unidos da América, tendo alcançado um sucesso assinalável. Chegou a ser a terceira personalidade mais popular nos Estados Unidos da América em 1940.

Além dos seus êxitos musicais como O que é que a baiana tem, participou em catorze filmes americanos, nove deles na 20th Century Fox.

É considerada pelo American Film Institute uma das 500 grandes lendas do cinema.

Morreu de ataque cardíaco fulminante em Los Angeles no dia 5 de agosto de 1955.

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12 de dezembro de 1807

12 de dezembro de 1807

Neste dia, os reis da Etrúria, Luís e Maria Luísa, abdicaram com a intenção de serem compensados com o então designado reino da Lusitânia Setentrional (atuais distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto).

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Com efeito, em outubro de 1807, França e Espanha celebram um tratado secreto (Tratado de Fontainebleau), no qual estava definida a invasão de Portugal, que seria repartido em três estados:

Reino da Lusitânia Setentrional para os reis da Etrúria, permitindo assim a Napoleão I oferecer aquele reino da Itália à sua irmã;

Portugal, reduzido às regiões de Trás-os-Montes, Beira e Estremadura, com destino final a decidir posteriormente;

Principado dos Algarves, que incluía as regiões do Alentejo e Algarve e que seria governado por Manuel de Godoy, chefe do governo espanhol.

Como sabemos, porque as invasões francesas nunca atingiram os seus objetivos em Portugal, este tratado nunca foi efetivamente implementado.

Personalidade nascida neste dia

No dia 12 de dezembro de 1948 nasceu Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, atual candidato à presidência da república.

Marcelo Rebelo de Sousa é professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Conselheiro de Estado, jurisconsulto e político.

A sua atividade profissional incluiu também a experiência de jornalista, tendo dirigido inclusivamente os jornais Expresso Semanário.

Na área política é militante do Partido Social Democrata, tendo exercido diversos cargos incluindo os de secretário de estado e de ministro.

É muito reconhecido pela sua capacidade de trabalho quase infindável e pelas suas qualidades de comentador e analista político.

Foi agraciado com a Comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada em 9 de junho de 1994 e com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique em 9 de junho de 2005.

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27 de novembro de 1807

27 de novembro de 1807

Neste dia a família real portuguesa embarcou rumo ao Brasil devido à invasão do país pelas tropas francesas comandadas pelo general Junot.

O cenário de transferência da família real já tinha sido equacionado por diversas vezes desde a crise de 1580. De facto, com a ascensão do império de Napoleão Bonaparte no início do século XIX, voltou a equacionar-se esta possibilidade, que foi defendida pelo marquês da Alorna em 30 de maio de 1801 e mais tarde, em 16 de agosto de 1803, por D. Rodrigo de Sousa Coutinho.

Na segunda metade de 1807, a França entregou a Portugal as determinações de Napoleão que incluíam a quebra dos pactos com Inglaterra, a adesão ao bloqueio continental, o encerramento dos portos portugueses à navegação inglesa e uma declaração de guerra a Inglaterra.

Na sequência destes acontecimentos formaram-se no Conselho de Estado de Portugal duas fações denominadas “partido francês” e “partido inglês”, que defendiam naturalmente duas posições opostas. O “partido francês” era liderado por D. António Araújo e Azevedo e o “partido inglês” por D. Rodrigo de Sousa Coutinho.

Foram efetuadas diversas reuniões durante o verão e outono desse ano, tendo sido subscrita em 22 de outubro a “Convenção secreta sobre a transferência para o Brasil da sede da Monarquia Portuguesa e ocupação temporária da ilha da Madeira por tropas britânicas”, já referenciada neste blogue.

No dia 27 de novembro a família real embarcou, tendo a esquadra portuguesa sido reforçada por quatro naus da Marinha Real Britânica comandadas pelo capitão Graham Moore.

Personalidade nascida neste dia

No dia 27 de novembro de 1729 nasceu o pintor Pedro Alexandrino de Carvalho.

Em termos artísticos começou por ser introduzido no barroco italiano, tendo evoluído para o rococó francês, movimento do qual se tornou um dos melhores executantes portugueses. Ainda teve tempo para executar algumas pinturas de influência neoclássica no final da sua carreira.

A sua obra é essencialmente de índole religiosa com trabalhos realizados em diversas igrejas de Lisboa reconstruídas depois do terramoto de 1755.

Morreu no dia 27 de janeiro de 1810 com 80 anos e está sepultado na Igreja de São José em Lisboa.

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22 de outubro de 1807

22 de outubro de 1807

Neste dia Portugal e a Grã-Bretanha celebraram um tratado internacional, conhecido como “Convenção secreta sobre a transferência para o Brasil da sede da Monarquia Portuguesa e ocupação temporária da ilha da Madeira por tropas britânicas”.

Esta convenção, assinada em Londres pelo príncipe regente de Portugal, D. João, e pelo rei inglês, Jorge III, permitiu à corte portuguesa transferir-se para o Brasil com o apoio naval britânico e simultaneamente abrir os portos brasileiros às mercadorias britânicas.

Refira-se que esta transferência da corte portuguesa é única na história, dado que não há casos semelhantes de uma colónia passar a ser a sede de uma corte europeia. Neste período entre finais de 1807 e 1821 a capital do Reino de Portugal passou a ser o Rio de Janeiro.

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É importante dar nota das duas principais consequências desta transferência da corte, ou seja, por um lado impediu-se a concretização do projeto de Napoleão para a Península Ibérica, uma vez que não conseguiu aprisionar em Lisboa a família real Portuguesa, por outro deu origem à Revolução de 1820 que opôs liberais e absolutistas.

 

Personalidade nascida neste dia

No dia 22 de outubro de 1689 nasceu em Lisboa João Francisco António José Bento Bernardo de Bragança, que veio a ser o rei D. João V, o Magnânimo.

Era filho do rei D. Pedro II e da condessa palatina de Neuburg, Maria Sofia Isabel. O seu reinado durou 43 anos até ao dia da sua morte em 31 de julho de 1750. É considerado o reinado mais rico da História de Portugal, marcado pela descoberta de ouro no Brasil no final do século XVII.

D. João V sempre tentou dinamizar a imagem de Portugal como uma grande potência, exteriorizado, por exemplo, nas embaixadas que enviou ao imperador Leopoldo I em 1708, a Luís XIV de França em 1715, ao papa Clemente XI em 1716 e ao imperador da China em 1725.

Nas iniciativas que empreendeu destacou-se também o fomento do estudo da história e da língua portuguesa e a construção de grandes edifícios que, infelizmente, viriam em grande parte a ser destruídos pelo Terramoto de 1755.

Resistiram até hoje o Palácio Nacional de Mafra, a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, o Aqueduto das Águas Livres e grande parte da coleção do Museu Nacional dos Coches, que ainda hoje é considerada como uma das mais importantes a nível mundial.

Do ponto de vista imaterial, D. João V deixou-nos a Academia Real da História Portuguesa, hoje Academia Portuguesa da História e ainda o Patriarcado de Lisboa, um dos três patriarcados do Ocidente da Igreja Católica.

O último grande feito diplomático do reinado de D. João V foi o Tratado de Madrid de 1750, que definiu as fronteiras modernas do Brasil.

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