31 de outubro de 1411

31 de outubro de 1411

Neste dia foi assinado o Tratado de Ayllón entre os reinos de Portugal e Castela na sequência da Batalha de Aljubarrota ocorrida a 14 de agosto de 1385. A sua ratificação só veio a ocorrer no dia 30 de abril de 1423.

A assinatura deste tratado foi a confirmação da paz definitiva entre os dois reinos.

Personalidade nascida neste dia

No dia 31 de outubro de 1391 nasceu em Viseu aquele que viria a ser o décimo-primeiro rei de Portugal, D. Duarte I, o Eloquente ou Rei Filósofo.

Era filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, tendo recebido o seu nome em homenagem ao avô da sua mãe, o rei Eduardo III de Inglaterra.

Desde muito cedo foi preparado para reinar, enquanto primogénito da ínclita geração, tendo sucedido ao seu pai em 1433. Teve um reinado muito curto, com cerca de cinco anos, entre 14 de agosto de 1433 e 9 de setembro de 1438.

Neste período deu continuidade à política de exploração marítima e conquistas em África, tendo o seu irmão, Infante D. Henrique, estabelecido-se em Sagres e dirigido as primeiras navegações, entre as quais a de Gil Eanes que dobrou o Cabo Bojador.

Foi também durante o seu reinado que, numa campanha mal sucedida em Tânger, o seu irmão, Infante D. Fernando, o Infante Santo, foi capturado e acabou por morrer em cativeiro.

D. Duarte I era um homem de cultura, tendo escrito várias obras como o Leal Conselheiro ou o Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela.

Morreu em Tomar no dia 9 de setembro de 1438, vítima da peste, quando preparava uma revisão da legislação portuguesa.

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30 de outubro de 1340

30 de outubro de 1340

Neste dia travou-se a Batalha do Salado, perto de Tarifa em Espanha. Esta batalha com os reinos de Castela e Portugal de um lado e o império Merínida e o reino nasrida de Granada do outro, teve como desfecho a vitória dos cristãos comandados por Afonso XI de Castela e Afonso IV de Portugal.

Tudo começou quando um frota espanhola que tentava evitar o avanço do rei de Fez e Marrocos, aliado ao emir de Granada, foi destroçada por uma tempestade. Este acontecimento força o rei espanhol, Afonso XI, a pedir ajuda ao sogro, Afonso IV de Portugal.

Na preparação da batalha ficou decidido que o rei de Castela enfrentaria o rei de Marrocos e o rei português combateria o emir de Granada.

A vitória dos cristãos desmoralizou o mundo muçulmano e aumentou o entusiasmo do cristianismo europeu.

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Personalidade nascida neste dia

António Barreto, nascido no dia 30 de outubro de 1942, na cidade do Porto é um cientista social e cronista português, com intensa atividade desenvolvida na área política.

Iniciou os seus estudos em Direito na Universidade de Coimbra, mas acabou por se licenciar em Sociologia na Universidade de Genebra, onde também faz o doutoramento em 1985.

Foi presidente do conselho de administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos, na qual criou o portal estatístico de grande sucesso designado por Pordata.

Politicamente, inicia a sua atividade no Partido Comunista antes do 25 de abril, passou para o Partido Socialista, onde exerceu os cargos de deputado, secretário de estado e ministro. Apoiou Sá Carneiro através do Movimento dos Reformadores e ainda foi deputado pelos socialistas entre 1987 e 1991. Afasta-se da política na década de 90 do século XX.

A sua produção científica valeu-lhe a eleição como membro da Academia das Ciências de Lisboa em 2008.

Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo no dia 8 de junho de 2012.

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29 de outubro de 1665

29 de outubro de 1665

Neste dia Portugal venceu a Batalha de Ambuíla contra o reino do Congo comandado pelo rei António I do Congo. As forças portuguesas foram comandadas pelo capitão Luís Lopes Sequeira.

Nesta batalha, defrontaram-se entre 20 a 30 mil homens de infantaria do reino do Congo contra cerca de 14 000 portugueses armados com duas peças de artilharia. A vitória portuguesa gerou cerca de 5000 baixas no exército inimigo, entre as quais o rei, que foi decapitado, os seus dois filhos, dois sobrinhos, quatro governadores, diversos oficiais da corte, 95 detentores de títulos e 400 outros nobres.

Refira-se que durante o século XVI existiu uma parceria comercial entre Portugal e o Congo, mas o estabelecimento em 1575 de uma colónia portuguesa muito forte em Luanda afetou esta relação. Em 1622 houve uma rotura definitiva entre os dois países depois da invasão portuguesa do Sul do Congo, situação que nunca foi recuperada e que culminou com esta batalha.

Personalidade nascida neste dia

No dia 29 de outubro de 1768 nasceu em Paredes de Coura Bernardino António Gomes que foi médico, cientista e botânico de destaque.

Destaca-se na sua atividade científica o facto de ter sido o primeiro a isolar a cinchonina da árvore da quina, abrindo o caminho do estudo da química dos alcalóides e do tratamento do paludismo pelo quinino. O seu trabalho na área da botânica valeu-lhe um busto sob pedestal no Jardim Botânico de Lisboa (1926).

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É considerado o Patrono da Dermatologia em Portugal pelo trabalho desenvolvido no tratamento das doenças cutâneas.

Em 1817 é nomeado médico da Câmara Real, ou seja, médico da família real, mantendo uma relação próxima com o rei D. João VI. Nesta qualidade foi ainda responsável por acompanhar a princesa Leopoldina da Áustria, noiva de D. Pedro, futuro imperador do Brasil, na sua viagem entre Livorno e o Rio de Janeiro.

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28 de outubro de 1856

28 de outubro de 1856

Neste dia foi inaugurado o primeiro troço da linha férrea portuguesa entre Lisboa e o Carregado.

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Esta linha tinha uma extensão de 36,5 Km e o comboio tinha duas locomotivas (Portugal e Coimbra) e dezasseis carruagens. Na viagem inaugural seguiam o rei D. Pedro V e o Cardeal Patriarca de Lisboa.

Esta obra foi apresentada como “grande ícone da regeneração e da política fontista de progresso nacional”, embora tivesse sido muito criticada por homens das letras como Almeida Garrett que criticou a introdução dos caminhos de ferro em Portugal. Este escritor entendia que este não era o progresso que Portugal precisava e receava que este meio de transporte acentuasse o fosso entre as grandes cidades do litoral e o interior.

Personalidade nascida neste dia

No dia 28 de outubro de 1863 nasceu no Funchal Luís da Câmara Pestana, que se destacou como um dos pioneiros da bacteriologia.

Foi um destacado higienista e professor universitário, formado na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa com uma tese intitulada “O Micróbio do Carcinoma”. Em 1890 foi nomeado professor de Higiene, Medicina Legal e Anatomia Patológica da escola onde se formou e dois anos mais tarde criou o Instituto Bacteriológico de Lisboa.

A sua afirmação em matéria de higiene e saúde pública deu-se ao demonstrar que o bacilo da epidemia de Lisboa de 1894 não era o vibrião da cólera.

Morreu no dia 15 de novembro de 1899 vítima da epidemia de peste que combatia na cidade do Porto.

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27 de outubro de 1949

27 de outubro de 1949

Neste dia foi atribuído a António Cetano de Abreu Freire Egas Moniz, médico, neurologista, investigador, professor, político e escritor, o prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina, que foi partilhado com Walter Rudolf Hess.

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Refira-se que o Prof. Egas Moniz foi proposto para o prémio Nobel por cinco vezes (1928, 1933, 1937, 1944 e 1949), tendo sido finalmente galardoado em 1949.

O prémio é-lhe atribuído pela introdução de um procedimento cirúrgico, denominado por leucotomia pré-frontal, mais tarde designado por lobotomia, que foi particularmente útil no tratamento da esquizofrenia. Refira-se que nessa época não existia um tratamento efetivo para a esquizofrenia e este procedimento tornou as consequências desta doença mais suportáveis para os doentes.

Contudo, na década de 50 do século XX a introdução de um medicamento eficaz no tratamento da esquizofrenia, clorpromazina, tornou este procedimento cirúrgico uma alternativa se a terapia medicamentosa não produzisse os efeitos desejados.

Após forte controvérsia na década de 60, este procedimento cirúrgico deixou de ser praticado, tendo inclusivamente sido exigido por alguns familiares de doentes a anulação do prémio Nobel atribuído a Egas Moniz.

Personalidade nascida neste dia

No dia 27 de outubro de 1838, nasceu em Lisboa Adolfo de Lima Mayer, que foi sócio-gerente da firma Lima Mayer e Filhos, foi responsável pela distribuição em Portugal dos explosivos Nobel, fundou a Companhia de Gás de Lisboa e o Banco Lisboa & Açores, tendo-lhe sido atribuída a comenda da Ordem Militar de Cristo no dia 19 de abril de 1879.

Adolfo de Lima Mayer mandou construir na Avenida da Liberdade o Palácio Lima Mayer, que é atualmente o Consulado de Espanha.

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Este palácio, projetado pelo arquiteto italiano Nicola Bigaglia, ganhou em 1902 o 1.º Prémio Valmor. Refira-se que nos seus jardins foi criado em 1921 o Parque Mayer, local histórico para o teatro e para a revista portuguesa.

Adolfo de Lima Mayer morreu no dia 16 de março de 1918.

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26 de outubro de 1823

26 de outubro de 1823

Neste dia, D. Miguel e D. Carlota Joaquina viram frustrado o seu projeto de conjuração para afastar D. João VI, prendê-lo em Vila Viçosa e substituí-lo no trono por D. Miguel.

Com efeito, D. Carlota Joaquina não aceitava muito bem o facto de ser descartada das decisões, tendo organizado um partido à sua volta com o objetivo de retirar as rédeas da governação ao príncipe regente. Contudo, esta conspiração foi descoberta e D. João VI, para evitar um escândalo público, resolve opor-se à prisão de D. Carlota Joaquina e prefere confinar-lhe os movimentos no Palácio de Queluz.

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Fica para a história o facto de D. Carlota Joaquina ser considerada por muitos a cabeça do partido absolutista que pretendia colocar no trono D. Miguel.

Personalidade nascida neste dia

No dia 26 de outubro 1802 nasceu no Palácio de Queluz Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança e Bourbon, que viria a ser o rei D. Miguel I.

Reinou no período de 1828 a 1834 e foi pretendente ao trono entre 1834 e 1866. D. Miguel I era o terceiro filho varão do rei D. João VI de Portugal e de D. Carlota Joaquina de Bourbon e irmão mais novo do rei D. Pedro IV de Portugal e I do Brasil.

A sua derrota nas guerras liberais tiveram como principal consequência ter sido despojado do seu estatuto de realeza e todos os seus descendentes ficaram para sempre excluídos da sucessão ao trono português e sob pena de morte se regressassem a Portugal. Esta lei de 19 de dezembro de 1834, conhecida como Lei do Banimento, foi revogada em 27 de maio de 1950 pela Assembleia Nacional, permitindo aos descendentes de D. Miguel I regressar a Portugal.

Após a sua derrota, D. Miguel I, exila-se primeiro em Itália, depois em Inglaterra e finalmente na Alemanha.

Morreu no dia 14 de novembro de 1866, depois de ter casado com a princesa Adelaide de Lowenstein-Wertheim-Rosenberg e ter tido seis filhas e um filho.

Desde 1967 está sepultado no Panteão dos Braganças juntamente com a sua mulher.

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25 de outubro de 1147

25 de outubro de 1147

Neste dia D. Afonso Henriques conquistou Lisboa aos mouros depois de um cerco de 20 semanas e de uma tentativa de acordo para a entrega pacífica da cidade.

O entusiasmo da conquista de Santarém motivou ainda mais D. Afonso Henriques a pensar na tomada de Lisboa, que se veio a realizar com o apoio de uma frota de cruzados que fez escala na Foz do Douro vinda de Darmouth.

O bispo do Porto, D. Pedro, foi encarregado pelo rei português da tarefa de convencer a esquadra de cruzados constituída por cavaleiros “francos” ingleses, teutónicos e bretões. Os argumentos utilizados foram os da causa justa e o de não renunciar ao uso das armas quando se trata de combater os inimigos da fé.

Chegados a Lisboa, depois de gorada a tentativa de um acordo pacífico para a entrega de Lisboa, iniciou-se o cerco que impediu os mouros de receber mantimentos e água.

Os mouros ainda tentaram obter o apoio do rei dos Eborenses, Mahomede, mas este não quis romper a trégua assinada com D. Afonso Henriques.

Assim, no dia 25 de outubro de 1147, após 20 semanas do cerco iniciado no dia 1 de julho, Lisboa é conquistada.

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Personalidade nascida neste dia

No dia 25 de outubro de 1838 nasceu em Lisboa Francisco Higino Craveiro Lopes, avô do futuro presidente da república, Marechal Craveiro Lopes.

Francisco Higino Craveiro Lopes foi um militar de nomeada com cargos, títulos e comendas muito relevantes:

  • General de Divisão do Exército
  • Comendador, Oficial e Grã-Cruz da Real Ordem Militar de Avis
  • Medalhas militares de Prata e Ouro de Bons Serviços
  • Grã Cruz da Ordem de Mérito Militar
  • Grã Cruz da Ordem de Isabel a Católica de Espanha
  • Grã Cruz de 1ª Classe da Real Ordem da Coroa da Prússia
  • Grande Oficial da Legião de Honra Francesa
  • Comendador e Grã-Cruz de Torre e Espada
  • Comandante da Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas em 1888
  • Comandante do Regimento de Artilharia 1 em 1889
  • Inspector do Material de Guerra da 1ª Div. Militar em 1890
  • Chefe da 3ª Rep. do Comando Geral de Artilharia em 1893
  • Director Geral do Ministério da Guerra em 1895
  • 1º Ajudante de Campo do rei D. Carlos I em 1900
  • Chefe da Casa Militar do rei D. Manuel II
Morreu no dia 11 de agosto de 1909.
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24 de outubro de 1789

24 de outubro de 1789

Neste dia foi inaugurada a Basílica da Estrela, embora o fim da sua construção só tenha acontecido em 1790.

Esta basílica é um antigo convento de freiras carmelitas com uma igreja encimada por uma cúpula, erguendo-se no alto de uma colina da zona oeste da cidade de Lisboa.

A sua construção é o resultado de uma promessa de D. Maria I, filha de D. José I, para ter um filho que herdasse o trono. O seu desejo foi concretizado, mas a criança, batizada com o nome José, veio a morrer em 1788.

Este monumento, projetado por arquitetos da Escola de Mafra, tem caraterísticas do estilo barroco final e do neoclássico.

Apesar de ter morrido no Brasil, D. Maria I foi transladada para a Basílica da Estrela e encontra-se num túmulo estilo império, sendo a única monarca da dinastia de Bragança, com exceção do imperador do Brasil, D. Pedro I, que se encontra em S. Paulo, que não se encontra no Panteão dos Braganças. Refira-se ainda a existência de um presépio de Machado de Castro com mais de 500 figuras em terracota.

Foi a primeira igreja no mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.

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Personalidade nascida neste dia

No dia 24 de outubro de 1503 nasceu em Lisboa Isabel de Portugal, que viria a ser imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico por casamento com Carlos V.

Era filha do rei D. Manuel I de Portugal e da rainha Maria de Aragão e Castela. Considerada uma mulher muito bonita morreu no dia 1 de maio de 1539 de complicações de parto em Toledo no palácio de Fuensalida.

Contudo, ainda gerou cinco filhos, o mais velho dos quais vem a ser o rei Filipe II de Espanha e I de Portugal. Está sepultada no Panteão do Escorial.

Acumulou os títulos de rainha de Espanha, da Germânia, de Sicília e Nápoles, de Maiorca, da Sardenha e da Itália, além de arquiduquesa da Áustria e duquesa de Borgonha.

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23 de outubro de 1535

23 de outubro de 1535

Neste dia foi assinado em Diu um contrato de paz entre o rei de Guzerate e D. Nuno da Cunha (9.º governador da Índia de 1529 a 1538).

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A cidade de Baçaim, hoje Vasai-Virar, situada a cerca de 50 quilómetros a norte de Bombaim era uma das mais importantes praças-fortes portuguesas no antigo Indostão, pela pesca, pelo comércio de cavalos, pelo sal, pelas madeiras, pelas pedras de construção como o basalto e o granito e pela construção naval.

Esta cidade integrava o reino de Cambaia numa região também próspera pela produção de arroz, algodão e cana-de-açúcar.

De 1528 a 1535 ocorreram diversos assaltos a esta cidade pelas forças portuguesas, mas em 1535 o Sultão de Guzerate assaltou a cidade, mas acabou por ser assinado um contrato de paz e em maio de 1536 foi iniciada a construção de uma fortificação por ordem de D. Nuno da Cunha e em torno da qual a cidade portuguesa floresceu.

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Personalidade nascida neste dia

No dia 23 de outubro de 1907 nasceu em Lisboa Hermínia Silva Leite Guerreiro, que viria a ser uma fadista de topo na cena artística portuguesa.

Despontou para a carreira artística muito cedo, designadamente para o fado, tornando-se presença notada nos retiros de Lisboa e apreciada pela originalidade com que interpretava os fados que cantava.

Em 1929 faz a sua estreia numa revista do Parque Mayer, sendo a primeira vez que o fado vendia bilhetes na revista à portuguesa. O seu estilo de cantar o fado deu origem ao que foi chamado o “fado musicado”.

A sua fama era tal que chegou ao cinema com interpretações no filme “Aldeia da Roupa Branca” de 1938 e “Costa do Castelo” de 1943.

É opinião de alguns especialistas do fado que Hermínia Silva é o segundo vértice do fado, depois de Alfredo Marceneiro e antes de Amália, o terceiro vértice.

O Estado Português agraciou-a diversas vezes com prémios e condecorações, reconhecendo-lhe a sua elevada qualidade artística.

Ficou famoso o Solar da Hermínia no Bairro Alto, casa de fados que dirigiu durante 25 anos desde a sua inauguração em 1958 até ao seu encerramento em 1982.

Cantou quase até morrer no dia 13 de junho de 1993, estando enterrada no Cemitério dos Prazeres.

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A época dos beijinhos

As eleições políticas são sempre um período que poderia ser denominado eruditamente como a “Era do Ósculo”.

Com efeito, basta ligar a televisão ou passear nas ruas onde andam os candidatos para ver uma distribuição indiscriminada de beijinhos, sem qualquer distinção de género, idade ou classe social.

É consensualmente aceite que os ósculos em senhoras de idade, preferencialmente com algum crescimento piloso facial, ou em crianças com pingos pendentes de muco nasal são notícia mais badalada nos serviços noticiosos em horário nobre. Também é verdade que não está provada a ligação entre estes beijinhos e o incremento de votos, mas mais vale não arriscar e oscular de qualquer modo.

Ora, como é que isto liga com a causa monárquica e o contraponto com a escolha do chefe de estado pela via republicana?

Um olhar mais atento mostra que os candidatos políticos encetam esta atividade muitas vezes sem disfarçar o esforço, ou seja, são pessoas que genuinamente não se sentem confortáveis em ambientes populares. Contudo, para conseguirem a sua eleição regular, esta é uma tarefa incontornável, mas que, em regra, resulta num período pós-eleição, no qual o eleitor é geralmente esquecido, bem como os respetivos ósculos.

Um rei, contrariamente a um presidente da república, não tem que ser eleito, pelo que todas as suas ações junto do seu povo são genuínas e sentidas. Aliás, basta olhar para as monarquias europeias e constatar como os contactos entre o soberano e o seu povo são constantes, sinceros e sem qualquer contrapartida a não ser o orgulho em pertencerem a um país, a uma cultura.

Aproximam-se as eleições para a presidência da república e, tendo em conta o elevado número de candidatos, adivinha-se uma distribuição assinalável de ósculos, mas que têm que ter a contrapartida do voto.

Um rei ou uma rainha quando beijam uma criança apenas pretendem criar um espírito de orgulho nacional e uma atitude de cidadania exemplar.

Beijinhos sim, mas sem votos de volta!